55% dos deputados querem cassação de Dirceu
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domingo, 20 de novembro de 2005
Luciana Nunes Leal<br> Agência Estado 
Brasília - Apesar de todo esforço que tem feito, buscando contato com cada um dos 512 colegas que decidirão seu futuro, o deputado José Dirceu (PT-SP) dificilmente escapará da cassação do mandato, quando a punição for votada pelo plenário da Câmara.
Votação secreta simulada na Câmara pelo Instituto Ascende em colaboração com a Kramer & Ornelas Consultoria e feita por encomenda da Agência Estado indica que a tendência é de cassação.
Foram a favor da perda do mandato 55% dos deputados votantes. Votaram pela absolvição de José Dirceu 29,8% dos deputados. Outros 7% optaram pela abstenção e 8,3% votaram em branco, nulo ou preferiram não responder. Aceitaram participar da simulação 242 dos 404 deputados contatados pelo instituto. Na Câmara há 513 deputados federais.
O resultado aponta, segundo análise dos pesquisadores Paulo Kramer e Ricardo Caldas, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília, a preocupação da maior parte dos deputados em ''mostrar-se sensível ao clamor generalizado da opinião pública, que repudia a transformação da crise política em pizza''.
Na avaliação dos dois professores, a cassação de Dirceu é simbólica, pela importância daquele que foi o braço direito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos primeiros dois anos e meio de governo.
Os pesquisadores lembram que está em jogo o futuro político dos próprios deputados, que em 2006 tentarão mais um mandato e se esforçam para melhorar a imagem da Câmara, marcada pelas denúncias de corrupção. Um caminho seria rejeitar a impunidade para os parlamentares acusados.
''A Câmara dificilmente escapará a esse estigma derrogatório para a imagem da instituição e perigoso para a sobrevivência eleitoral de muitos deputados - se não punir o político que é considerado idealizador e principal operador do esquema de pagamentos em dinheiro a parlamentares em troca de apoio às propostas do governo Lula e ao seu projeto de reeleição'', dizem Paulo Kramer e Ricardo Caldas na conclusão do trabalho.
Dos 242 participantes da votação secreta, 185 aceitaram revelar seus nomes, sob a condição de não serem publicados. Assim, foi possível agrupá-los por partidos. O resultado é muito próximo da divisão das bancadas na Câmara, o que levou os pesquisadores a considerar a amostra bastante representativa da realidade da Câmara. ''É como um mini Parlamento'', descreve o professor Ricardo Caldas.
Dos 185 deputados com partidos identificados, a maior parte (17,8%, ou 33 deputados) é do PT, partido que tem a maior bancada (16% dos 513 parlamentares). Em segundo lugar, estavam os peemedebistas, com 27 votantes, ou 14,6% do total. O PMDB é a segunda maior bancada da Câmara, com 15,6% dos deputados. Os demais partidos também tiveram representações na votação simulada semelhantes a suas bancadas na Câmara.


