Essa multidão de recém-chegados à política formal representa novos desafios para os tribunais e para os partidos. Juízes eleitorais enfrentam uma tarefa bem maior com a grande quantidade de candidatos analfabetos. Chega a 45% o total dos candidatos sem ensino médio - e deles 53% nem sequer terminaram o ensino fundamental. São quase 170 mil pré-candidatos nessa condição, em todo o País. Nas contas do IBGE, o analfabetismo é dominante em um de cada seis municípios brasileiros.
Na prática, os juízes eleitorais ficam divididos entre a lei e o mundo real. O art. 14º da Constituição determina, em seu parágrafo 4º, que ''são inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos'', mas não se define o que é, exatamente, um analfabeto. A Justiça Eleitoral leva em conta que muita gente sem diploma sabe escrever um pouco, tem experiência prática e perfeitas condições para a atividade política. Por isso, enquanto muitos tribunais estão indeferindo registros de gente que não passa no teste de escolaridade, outros são mais tolerantes. Dos 713 concorrentes do Recife, por exemplo, nenhum perdeu o registro por causa de analfabetismo.
Cabe lembrar, segundo o historiador Villa, que o debate político ''é pobre independentemente da escolaridade dos candidatos. Nas grandes cidades, essa escolaridade de prefeitos e vereadores é razoavelmente alta e nem por isso elas são bem administradas ou o debate é de bom nível. O problema é a pobreza na elaboração de propostas para a gestão municipal. A maioria dos candidatos não sabe as atribuições de um vereador''.
Para os partidos, o crescimento de grupos organizados nas periferias - de onde surgem muitos desses candidatos - cria novas tensões. ''Os partidos têm seus aliados nessas áreas, mas procuram controlá-los e fazem de tudo para tirar espaço dos líderes comunitários independentes'', lembra o presidente do PPS em São Paulo, Carlos Fernandes.

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