Brasília - Pelo menos 40 dos 244 novos deputados que tomam posse no próximo dia 1º são alvo de processos na Justiça. É o que aponta levantamento feito pelo Estado de S.Paulo nos tribunais dos 26 Estados e do Distrito Federal. São Paulo lidera o ranking, com 10 representantes na Casa às voltas com ações judiciais. Em seguida, vêm Paraná, com 8, Santa Catarina, com 4, e Minas, 3.
Esse grupo de parlamentares, que desembarca no mês que vem no Congresso, aparece nos tribunais associado a vários crimes. São alvo de acusações de improbidade administrativa, de ações civis públicas, indenizações por danos morais, de execuções fiscais ou suspeitos de crime contra a administração da Justiça.
Dos 40 novos deputados que enfrentam problemas com a Justiça, 6 são filiados ao PMDB, mesmo número do PFL e do PT. PSDB e PP têm, cada um, 5 novos representantes na Câmara com pendências judiciais. O PDT aparece em seguida, com 3. PPS e PTB têm 2 e PSB, PSC, PL, PHS e PTC contam com pelo menos um parlamentar alvo de processo.
Quase nenhum desses casos chegou à sentença final - transitada em julgado. Ou seja, ainda há possibilidade de novos recursos e, por enquanto, eles são réus, mas não condenados.
Há processos que correm em segredo de Justiça, como um contra o cantor Frank Aguiar, eleito deputado pelo PTB paulista. Ele responde a outras duas ações, segundo o Tribunal de Justiça do Estado, como responsável por uma empresa que promove seus shows. Procurado na sexta-feira, Frank não respondeu aos telefonemas da reportagem.
Proprietário de uma empresa em seu Estado, o Espírito Santo, o peemedebista Camilo Cola também responde a processos judiciais. ''Nada é referente à pessoa física, mas sim à jurídica e todos nós sabemos que no Brasil a coisa mais comum é uma empresa responder a processos. Todas têm'', justificou Cola, por meio de sua assessoria de imprensa.
Entre os deputados que vão integrar a nova legislatura e têm pendências com a Justiça está o mais votado de São Paulo - o ex-prefeito da capital Paulo Maluf (PP). Ele conquistou uma das 513 vagas da Câmara com mais de 700 mil votos.
Maluf livrou-se no final do ano passado de um complicado processo. A juíza federal Silvia Maria Rocha trancou uma ação penal porque o Tribunal Regional Federal, atendendo a apelação da Procuradoria da República, mandou extrair dos autos toda a documentação bancária que a Suíça enviara, indicando movimentação de US$ 446 milhões em nome de duas empresas offshore supostamente ligadas a Maluf. Apesar disso, Maluf ainda é réu em outra ação, de improbidade, no mesmo caso.
O ex-prefeito e deputado eleito nega qualquer ato de improbidade. Por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou que jamais manteve dinheiro no exterior e é alvo de perseguição do Ministério Público. Em entrevistas, costuma dizer que nunca sofreu uma única condenação.

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