38 deputados mudaram de partido em 97
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terça-feira, 29 de julho de 1997
Agência Estado Brasília 
Começou o período de acomodação política de deputados e senadores que disputarão as eleições de 98. Só este ano 38 deputados trocaram de partidos, na maioria das vezes motivados por acertos nos Estados que facilitarão o futuro nas urnas. O PFL foi o partido preferido por 16 deles.
O PSDB recebeu 11 novos deputados, mas o número deverá crescer se o presidente Fernando Henrique Cardoso continuar à frente nas pesquisas, acreditam os políticos mais experientes. O PMDB perdeu seis deputados e ganhou três, mesmo número de deputados que se mudaram para o PPB e PL. PSB e Prona ganharam mais um deputado. No Senado, apenas cinco senadores buscaram novas legendas.
A dúvida sobre o rumo a tomar atingiu 25,7% dos 513 deputados da atual legislatura. No período, 132 deles passaram por mais de um partido. Alguns deles, como os deputados Expedito Júnior (PFL-RO) e Max Rosenmann (PSDB-PR), estão no terceiro partido num único mandato. Rosenmann disse que encerrou sua busca, iniciada pela expulsão do PDT, em junho de 1995, porque votara a favor da quebra do monopólio das telecomunicações. Esteve no PMDB e hoje se declara numa situação confortável junto aos tucanos.
O deputado previu que o troca-troca nem começou. Segundo ele, a movimentação vai aumentar em setembro, um mês antes do prazo final de filiação partidária. Quem não estiver devidamente filiado até o dia 3 de outubro não poderá concorrer a eleição.
O relator da lei que vai definir as regras da disputa do próximo ano, deputado Carlos Apolinário (PMDB-SP), aponta interesses pessoais como o motivo principal dos pedidos que vem recebendo para aproximar o prazo final de filiação das eleições. Os que o procuram, como o ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf, alegam que um ano é um prazo muito longo e que os partidos precisam de mais tempo para se ajustarem. Maluf sugeriu diminuir o prazo para seis meses, mas o relator rejeitou a idéia.
Tem gente que troca de partido como de camisa, constatou Apolinário. Se a decisão fosse exclusivamente sua, ele disse que tornaria obrigatória a fidelidade partidária. Só que a medida, pela sua extensão, não cabe numa lei, teria que constar na Constituição. Quem trocasse de partido, qualquer período que fosse, perderia o mandato.
Como sabe que a iniciativa não agrada à maioria de seus colegas, Carlos Apolinário vai apresentar uma proposta de emenda constitucional estipulando que, a partir do ano 2006, quem trocar de legenda perderá o mandato. Quem sabe assim, mais na frente, a medida terá um melhor acolhimento, previu.
A troca de partido, muitas vezes, é motivada por ressentimentos surgidos ao final de um processo político. Foi assim com os deputados José Thomas Nonô (PSDB-AL) e Nicias Ribeiro (PSDB-PA), ex-peemedebistas, que se tornaram tucanos depois de se sentirem ludibriados nas últimas eleições. Thomas Nonô perdeu a vaga de senador para Renan Calheiros e Ribeiro não aceitou o apoio do partido à candidatura ao governo do então senador Jarbas Passarinho (PPB-PA).


