35 anos pós-golpe, herança da ditadura se mantém no Brasil
O Brasil vive um tempo de democracia, 35 anos depois do golpe militar de 31 de março de 1964, mas a herança daqueles anos ainda permanece na vida política e institucional brasileira.
A fragilização dos partidos, o descrédito na política e nos políticos e a manutenção de um modelo tecnocrático de formulação das estratégias econômicas são, em grande parte, consequências daqueles anos.
Sou o único homem no mundo (pelo menos no Brasil) que desencadeou uma revolução de pijama. A frase escrita no diário do general Olímpio Mourão Filho, comandante da Região Militar de Juiz de Fora (MG), às 5 horas de 31 de março de 1964, marcou o início da ditadura militar. Mourão Filho, de pijama e roupão, como escreveu no diário, foi quem deflagrou, de casa, o movimento militar que culminaria na deposição do presidente João Goulart, o Jango.
Segundo a cientista política Maria Celina DAraújo, do Centro de Pesquisa e Documentação de História (Cpdoc) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o regime militar foi o grande responsável pela consolidação de uma cultura antidemocrática iniciada pelo ditador Getúlio Vargas, durante o Estado Novo, entre 1937 e 1940. Era uma concepção de desprezo pela representação política e pelas instituições democráticas, afirma. A idéia, ainda em vigor hoje, de que a política é ruim e os políticos, um estorvo, quando, na verdade, a política é a condição básica da vida democrática.
O historiador Marcelo Badaró, da Universidade Federal Fluminense (UFF), completa a análise de Maria Celina. Segundo ele, além do desprezo pelo sistema político, os governos militares conseguiram cristalizar no imaginário nacional a idéia de que apenas os técnicos podem, de fato, formular estratégias econômicas para o desenvolvimento do País. Essas estratégias não podem entrar no debate político, são da seara restrita dos técnicos, afirma.





