34% dos candidatos já disputaram vaga na Câmara
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sábado, 16 de agosto de 2008
Loriane Comelli<br>Especial para a FOLHA 
Mais de um terço dos 406 candidatos à Câmara Municipal são vereadores ou já disputaram uma cadeira no Legislativo londrinense. Desses 139 postulantes, 19 estão se candidatando pela terceira vez ou mais; 93 se candidatam pela segunda vez; e 27 são ou já foram vereadores em Londrina.
O que motiva esses homens e mulheres a tentar tantas vezes uma vaga, mesmo agora que a Câmara passa por sua pior crise política da história? As respostas dos candidatos ouvidos pela FOLHA são bastante semelhantes e estão ligadas a algo como fazer o bem comum, entendido por eles, na maioria das vezes, como defender as comunidades que representam, especialmente as religiosas. Os candidatos também alegam o desejo de moralizar o Legislativo, cuja credibilidade está abalada desde o começo do ano em razão das acusações do Ministério Público de cobrança de propina para aprovação de leis.
Para o professor de Filosofia da Universidade Estadual de Londrina, Elve Miguel Cenci, há dois motivos principais - e não tão nobres - para que tantos se candidatem tantas vezes: o fortalecimento do partido e a fixação da própria imagem para o eleitorado. ''Há os soltados do partido e os soldados do interesse próprio'', define.
Entre esses últimos, há aqueles que realmente acreditam ter chance de vir a ocupar o cargo. ''Mas há quem saiba que não tem a mínima chance, mas se candidata para ajudar determinado candidato a prefeito, e garantir emprego para os próximos quatro anos'', avalia Cenci, que é doutor em filosofia política pela UFRJ.
No caso daqueles que se candidatam para fortalecer uma legenda, o professor explica que a agremiação recruta o maior número possível de postulantes para que, pelo menos, um vereador seja eleito. ''Assim os pequenos partidos tentam se tornar representativos'', explica.
Porém, alguns partidos não se saem tão bem nesse recrutamento, já que muitos candidatos, para alcançar a tão desejada vaga, não hesitam em mudar de legenda tantas vezes quanto se candidatam.
É o caso de Dorival Vitorelli, que disputa a Câmara pela quarta vez, agora pelo PRP. Em 2004 estava no PTN e em 1996 no PSB. ''Em 2000 eu nem lembro (o partido a que estava filiado)'', afirma o candidato, que é vendedor de automóveis. Sobre os gastos de campanha, ele afirma que usa o econômico método boca a boca. ''Não vou vender nada para investir em campanha.''
Outro que está na quarta eleição é Jurandir Totta, cujo nome de urna é Bolota. Funcionário da Sanepar há 25 anos, ele diz que ponderou a nova candidatura em razão da crise na Câmara. ''Mas meus amigos, parentes e o pessoal da igreja pediram para que eu me candidatasse'', justifica. O candidato afirma que nunca gastou muito nas campanhas, uma vez que parte do material é fornecida pelo próprio partido. Por falar em partido, este ano Bolota está na terceira legenda. Começou no PDT, em 1996. Nas eleições seguintes partiu para o PSB, onde ficou até 2004. Este ano está no PSDB.
O comerciante de verduras e legumes Joel Garcia está na terceira candidatura, mas sempre no PDT. Segundo ele, disputar uma vaga não é uma decisão pessoal, mas sim ''da minha comunidade da região leste, da igreja, dos movimentos sociais''. ''Como ninguém se apresentou (para a vaga), me candidatei novamente.'' As campanhas, disse Garcia, são financiadas com recursos pessoais e auxílio do partido.
O presidente licenciado do PSDB de Londrina, Claudemir Molina, também disputa sua terceira eleição para vereador. Sempre filiado ao partido, o candidato diz sentir-se ''vocacionado para participar da política''. ''Não estou em busca de emprego nem de salário. Quero contribuir com a minha cidade.'' Suas campanhas anteriores foram pagas com recursos próprios. ''Gastei em torno de R$ 10 mil em cada uma.''
Será que todos têm segundas intenções ao se candidatar a vereador? Não, na avaliação do Elve Cenci. ''Se pensarmos assim, a política não faz qualquer sentido. Acho que no meio do jogo político há sim pessoas bem-intencionadas'', conclui.


