Curitiba - Um levantamento feito pela FOLHA a partir da última prestação de contas relativas ao uso da verba de ressarcimento dos deputados estaduais revela que, dos 54 parlamentares, 33 ''estouraram'' pelo menos uma das duas cotas, a de transporte terrestre e aéreo e a cota postal-telefônica. Pela regra, a verba de ressarcimento mensal, para cada parlamentar, é de R$ 27,5 mil. Mas, dentro da quantia total, R$ 12,5 mil têm destino certo: R$ 9,3 mil só podem ser utilizados para despesas com transporte e R$ 3,2 mil somente para gastos com correspondência e telefone. Uma flexibilidade aprovada pelos parlamentares, contudo, permite que, se as despesas com transporte, correspondência e telefone ultrapassarem os limites definidos, os gastos poderão ser compensados com o dinheiro restante da verba de ressarcimento, que é R$ 15 mil.
Em setembro, entre os 33 parlamentares que ''quebraram'' o limite imposto pelas cotas para conseguir pagar as contas, está o deputado estadual Mauro Moraes (PMDB), que se utilizou integralmente da cota postal-telefônica e mais R$ 4.254,90 só para o pagamento de correspondências. Em entrevista à reportagem, o peemedebista alegou que o envio de correspondência seria sua principal ponte com o eleitor. ''Sou um político que não tem prefeito, não tem vereador. O meu contato com o eleitor é direto. Envio sempre um boletim informativo sobre minha atuação para o meu cadastro de eleitores'', diz ele. O peemedebista explica ainda que ''o grosso das correspondências é mesmo o boletim informativo'', mas admite que também envia cartões em datas específicas, no aniversário do eleitor, por exemplo.
O deputado estadual Fábio Camargo (PTB), ''campeão'' nos gastos com ''serviços de comunicação (telefone e telex)'', não foi encontrado pela reportagem para comentar o assunto. Camargo se utilizou integralmente da cota postal-telefônica e mais R$ 5.947,77 com telefone e telex. Já o deputado estadual Douglas Fabrício (PPS), que usou toda a cota de transporte e mais R$ 4.100,38 para passagens e taxas de embarque, justificou o ''alto custo'' com deslocamentos quando a base eleitoral do parlamentar é no interior do Estado: ''Tem mês que dá mais, tem mês que dá menos. As despesas vão acumulando e a gente vai trabalhando. Pode parecer que a gente gasta muito, mas não é verdade'', diz ele. O pepessista também reforça que tem feito suas prestações de contas de acordo com o que determina a regra e elogia o Portal da Transparência. ''Antigamente não se tinha controle nenhum. A Casa avançou muito'', ressalta.
O Portal da Transparência, contudo, não revela os detalhes dos gastos feitos com as duas cotas. No espaço, só é possível identificar as despesas feitas com o valor restante da verba de ressarcimento (R$ 15 mil). Inicialmente, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Nelson Justus (DEM), prometia colocar na internet os detalhes dos gastos feitos com o valor integral da verba de ressarcimento (R$ 27,5 mil). Com a criação das duas cotas (R$ 12,5 mil), contudo, a transparência foi reduzida.

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