RIO - A Assembléia Legislativa fluminense (Alerj) descobriu que não são somente 100, mas pelo menos 300 os seus funcionários que ganham salários mensais acima de R$ 9.600,00, redutor estabelecido pelo presidente da Casa, deputado Sérgio Cabral Filho (PSDB), em março de 1995. A maioria dos marajás é aposentada e conseguiu a elevação dos vencimentos através de um artifício ilegal: pedia exoneração às vésperas da aposentadoria e no mesmo dia, com a ajuda de políticos, era nomeado para um posto superior ao que exercia - já que a lei não permite a acumulação de dois cargos. Com isso, 24 horas depois, incorporava à aposentadoria os proventos da nova função.
Revoltado com o grande número de marajás, o deputado Sérgio Cabral decidiu limitar os salários ao teto que estabeleceu e, em decorrência disso, enfrenta uma batalha judicial. O Tribunal de Justiça do Rio, deu ganho de causa aos funcionários em abril deste ano, determinando que seus salários fossem pagos integralmente. O problema se arrasta na Justiça já que Cabral Filho se recusa a cumprir a determinação.
Cabral Filho disse que o ganho de causa só vai ser consolidado, caso seja publicada a determinação no Diário Oficial do Estado. ‘‘Até agora não recebi nenhum comunicado’’, disse o deputado.
Na extensa lista de marajás aposentados e da ativa da Alerj, consta como o maior salários o de Luís Rodrigues Torres. Aposentado, ele recebe R$ 37.256,42. Procurado, não retornou à ligação da Agência Estado. Félix de Albuquerque, com vencimentos de R$ 21.678,93, confirmou que trabalha na Alerj e disse que tem direito a um bom salário. ‘‘Trabalhar muito e não ser fantasma’’, alegou. Ele se disse surpreso com o que chamou de ‘‘alarde’’, o interesse da imprensa em divulgar o assunto. ‘‘Vocês deveriam se preocupar com a violência da PM’’, recomendou.
Muitos dos marajás, como Carlos Dias Ferreira, com contracheque de R$ 33.134,74, e Douglas Frauches Alves, com R$ 29.622,07, não têm seus nomes na listas telefônicas do Rio e quando são encontrados se recusam a falar sobre o assunto.

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