25% dos senadores não foram eleitos
São suplentes que assumiram a vaga do titular e provocam uma distorção no Senado
Das Agências
Arquivo FolhaJáder Barbalho: senador poderia renunciar ao cargo na metade do mandato para dar lugar ao paiEleito com quase 300 mil votos, o senador Carlos Bezerra (PMDB-MT) vai deixar o mandato pela metade para se candidatar outra vez ao Senado. Em seu lugar, assume o empresário Elói de Almeida, um suplente que, sem ter sido eleito para o cargo, vai exercer quatro anos de mandato. O fato expõe uma distorção que ameaça fazer do Senado a Casa dos parlamentares sem voto. Mostra ainda uma estratégia que pode devolver ao PMDB a condição de maior bancada, com direito a indicar em fevereiro o presidente do Senado.
Basta fazer com que um senador bem votado ‘‘divida’’ o mandato com o suplente. O líder do partido, Jáder Barbalho, é citado pelos seus colegas de partido como um dos que estaria disposto a renunciar no meio do mandato para se candidatar ao mesmo cargo. Ele negou. A vaga, no caso, seria ocupada por seu pai e suplente, Laércio Barbalho, ex-deputado estadual cassado pelos militares. Barbalho ainda não anunciou seus planos para a eleição de outubro.
Atualmente 17 milhões de eleitores são obrigados a aceitar a permanência de suplentes no lugar do senador que elegeu. Os eleitos que não estão no cargo representam 25% do total de 68 milhões de votos das eleições de 1990 e 1994. Bezerra disse que teve que se render ao acordo político que resultou da sua desistência ao governo de Mato Grosso para apoiar a candidatura do também senador Júlio Campos (PFL-MT).
A união contra a reeleição do governador Dante de Oliveira dará nisso, na presença de mais um desconhecido para o eleitorado. O senador disse que seu suplente ‘‘é um empresário eficiente e que está preparado para exercer o cargo’’. O que se comenta no Senado é que ele era motorista de caminhão antes de se eleger prefeito de Alta Floresta.
Apenas a bancada de 12 dos 27 Estados é formada unicamente por titulares. Nas bancadas da Bahia e da Paraíba há dois suplentes para um titular. O motivo de afastamento, como ocorreu na semana passada com o senador Josaphat Marinho (PFL-BA), nem sempre é claro. Josaphat alegou que se afastaria do cargo por ‘‘motivos pessoais’’. Foi substituído pelo presidente do PFL no Estado, Francisco Benjamim. Os suplentes na Paraíba são Ney Suassuna, que assumiu quando Antonio Mariz, morto há três anos, foi eleito governador, e Wellington Roberto, substituto de Humberto Lucena, morto em abril último.
O senador Coutinho Jorge (PSDB-PA), indicado para o Tribunal de Contas do Estado, já arrumou as gavetas. Até o final deste mês estará em seu lugar Juvêncio Dias, um suplente a mais para reforçar a bancada dos parlamentares sem voto.
Temer - O deputado federal e presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB), defendeu em Campinas (SP) que os peemedebistas tentem eleger 12 governadores, aumentando em até 50% sua participação nos governos estaduais, caso não lance candidato próprio à Presidência da República.
Hoje o PMDB tem oito governadores: Antônio Britto (RS), Wilson Martins (MS), Garibaldi Alves (RN), José Maranhão (PB), Waldir Roupp (RO), Maguito Vilela (GO), Francisco de Assis (PI) e Paulo Afonso Vieira (SC). Temer esteve na cidade anteontem para o encerramento do 1º Curso de Formação Política da Fundação Pedroso Horta, organizado pelo vice-prefeito de Campinas, Carlos Cruz.
Ele reforçou sua posição favorável à coligação com os tucanos em nível nacional. O vice-prefeito, líder local do PMDB, é defensor da candidatura própria do partido. Com relação ao crescimento da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Temer considerou que a disputa com o presidente Fernado Henrique Cardoso ficou mais acirrada. ‘‘Mas nossa posição no dia da convenção não vai se alterar. Isso seria oportunismo’’, disse.

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