240 seguranças vão garantir votação
Agência Estado
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Do contraSindicalistas fazem protesto, próximo à catedral de Brasília, contra as reformas: acesso ao Congresso será limitado O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), só tem uma preocupação em mente: evitar um novo vexame como o que ocorreu semana passada durante a votação da reforma da Previdência e neutralizar os manifestantes e oposição para garantir a votação marcada para amanhã. Por ordem de Temer, o espaço ao redor do Congresso estará isolado, os 240 seguranças da Câmara trabalharão sem revezamento e a Polícia Militar do Distrito Federal estará preparada para entrar em ação a qualquer momento.
Tudo para garantir que o plenário consiga iniciar amanhã a votação da reforma em primeiro turno. Os acertos políticos para a votação serão discutidos hoje pelos líderes governistas, em almoço na casa do ministro das Comunicações, Sérgio Motta.
A partir de amanhã, aqui vai ser um Parlamento inglês, determinou Temer. Mas ontem o clima era de repressão às manifestações. Um pequeno grupo de sindicalistas da Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Distrito Federal tentou sem sucesso instalar uma ratoeira gigante no gramado do Congresso. Foi recebido a chutes e empurrões por alguns seguranças da Câmara e do Senado e teve de montar o objeto longe do prédio dos parlamentares. Mas deixou o recado numa faixa estampada por alguns momentos: Contra os ratos do Congresso, a arma do trabalhador.
A ratoeira da CUT media 2,5 metros de comprimento por 1,5 metro de largura e foi feita de chapa de compensado. A armadilha era um caixote simulando um pedaço de queijo, coberto com notas gigantes de dólar. Os seguranças impediram a manifestação perto do Congresso alegando que a CUT não tinha autorização para o ato. Nunca precisamos de autorização para manifestarmos em local público, reagiu o presidente regional da CUT, José Zunga. O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), fez ironia: Talvez, a ratoeira sirva para eles mesmos (os sindicalistas); aí, eu não vou precisar deter ninguém porque eles vão ficar presos. A retirada da ratoeira foi uma ação conjunta dos seguranças da Câmara e do Senado.
Do lado de dentro do Congresso, Temer determinava que os manifestantes só poderão colocar faixas ou promover atos fora do limite do Congresso (na Esplanada dos Ministérios) e acertava com o governador Cristóvam Buarque (PT) para que a PM ficasse preparada para qualquer chamado de emergência. Somente credenciados poderão transitar no Congresso a partir de hoje, mas a presença de populares nas galerias do plenário da Câmara será permitida, com limite.
Temer decidiu autorizar a entrada de no máximo 200 pessoas e vai distribuir credenciais às lideranças dos partidos, de acordo com o tamanho das bancadas. O que der pra gente colocar para dentro será o bastante, afirmou o deputado Arnaldo Faria de Sá (PPB-SP), um dos líderes das manifestações de oposição à reforma previdenciária. Ligado a um partido da base governista, Sá está certo de que não será censurado pelo líder, deputado Odelmo Leão (PPB-MG). É claro que o Odelmo vai me dar credenciais para eu distribuir com o meu pessoal, afirmou. Ele sempre foi um cara decente, e sabe que luto por uma causa justa.
ACM está participando da operação de guerra para evitar novos tumultos. A preocupação de Temer era tão grande na semana passada que ele chegou a deixar preparada a convocação de cadeia de rádio e televisão na noite da quinta-feira, caso tivesse de autorizar a entrada da PM na Câmara para conter a invasão do plenário. Se a PM tivesse de entrar aqui, eu teria de dar uma explicação à sociedade, afirmou ele.
Os líderes aliados do governo deverão apresentar em conjunto um destaque para a retirada, do texto da Previdência, do dispositivo que prevê a cobrança de contribuição previdenciária a inativos do setor público. A avaliação deles é de que o governo tem garantidos entre 318 e 320 votos para aprovar a emenda. O presidente da Câmara acha viável a retirada da contribuição dos inativos por meio de um destaque. Ele garantiu que, se derrubado, vai remeter o assunto ao Senado para que aquela Casa vote o destaque separadamente da reforma previdenciária (como Temer pretende que ACM faça com o dispositivo derrubado da reforma administrativa). Segundo Temer, os dois presidentes estão perto de chegar a um acordo sobre a tramitação das reformas.





