Curitiba – Conforme as investigações vão se aprofundando aumenta a expectativa de que algumas empreiteiras e construtoras possam ser denunciadas pela força-tarefa do MPF dentro da Operação Lava Jato. Ao menos cinco grandes podem ser responsabilizadas por lavagem de dinheiro pelo uso de empresas de fachada do doleiro Alberto Youssef. No final de junho a PF confirmou que 31 novos inquéritos haviam sido abertos. Entre eles, 23 miravam empresas que teriam alguma relação com o doleiro e também com o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Os outros oito inquéritos seriam referentes a clientes que mantinham relação com a doleira Nelma Kodama. Cada um dos novos inquéritos abertos foi requisitado pelo MPF.
Com o andamento dos trabalhos da força-tarefa e pelo grande volume de provas armazenadas, surgiu há algumas semanas especulações de que algumas destas grandes empreiteiras estariam negociando uma colaboração com o MPF. Elas estariam tentando um acordo de leniência (uma espécie de delação premiada para empresas acusadas de crimes) para confessar participação em desvios de recursos. A iniciativa teria partido das empresas, entretanto, o MPF afirma que, por enquanto, não há nada oficial.
"Estamos abertos a esta possibilidade. Até agora nenhuma nos procurou oficialmente, mas não é fácil porque envolve uma série de exigências e elas têm que ser cumpridas. É um processo difícil, um tanto diferenciado de uma delação porque é mais complexo", ressaltou o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima.
Para que uma colaboração possa ser iniciada, as empresas teriam que cumprir uma série de exigências, entre elas, a entrega de todos os fatos que são ilícitos; pagar uma multa milionária; e ter que se comprometer a não agir da mesma forma. "Se alguma empreiteira quiser fazer isso será surpreendente. Mas terá que apresentar provas, prestar depoimentos, e concordar com todas as exigências", disse. (R.C.J.)

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