Arquivo FolhaSerra: teve 6,5 milhões de votos, assumiu ministério, e deu a vaga no Senado para suplente A distorção na escolha de senadores e seu suplentes frustra a expectativa de 15,5 milhões de eleitores brasileiros. Eles conseguiram eleger seus representantes, mas em razão da saída do titular, por motivos políticos ou porque morreram, são obrigados a aceitar a ocupação da vaga por outras pessoas, que muitas vezes nem conhecem. Atualmente, dos 81 senadores, 15 estão na Casa graças a esse tipo de privilégio. Os eleitos que não estão hoje no Senado representam 23% do total de 68 milhões de votos das eleições de 1990 e de 1994.
Entre os senadores que abriram a vaga está José Serra (PSDB-SP), atual ministro da Saúde, que com o apoio de 6,5 milhões de eleitores, tornou-se um dos recordistas de votos do Senado. Eleito em 1994, Serra nem chegou a assumir a vaga. Preferiu aceitar o convite do presidente Fernando Henrique Cardoso para o cargo de ministro do Planejamento. Seu suplente, o empresário Pedro Piva, só deixou o Senado depois que Serra foi derrotado na eleição para prefeito de São Paulo, em 1996. Piva reassumiu o cargo há pouco mais de um mês, quando Serra voltou à equipe ministerial.
Outro caso curioso de suplência é o do senador João França (PPB-RR). O titular da vaga, brigadeiro Hélio Campos, eleito com 28 mil votos, morreu subitamente seis meses depois de ter assumido o cargo. O que se conta em Roraima é que Campos escolheu para suplente o encarregado da obra que fazia em sua casa, já que pretendia exercer todo o mandato de oito anos. João França não endossa essa história, limitando-se a dizer que já naquela época era um pequeno empresário.
De qualquer forma, o fato revela como o sistema proporcional para escolha de senadores é cruel para o eleitor, muitas vezes obrigado a manter com o seu voto no Senado pessoas que não atendem às suas expectativas. O suplente normalmente é escolhido pelo próprio candidato. É comum a escolha recair sobre empresários, cuja tarefa principal é a de arcar com os custos da campanha eleitoral. Nomes eleitoralmente muito forte nos Estados, como o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e de Íris Rezende (PMDB-GO), escolhem parentes como substitutos.
Alguns suplentes não têm vinculação política ou familiar com o titular, como é o caso de Regina Assumpção, que substituiu o senador Arlindo Porto (PTB-MG) quando ele ocupou o Ministério da Agricultura. Regina é secretária do PTB de Minas e a sua escolha para o cargo é atribuída à pressa na composição da chapa majoritária. Há ainda os suplentes que conseguem ficar por mais de um mandato, como Gilberto Miranda (PMDB-AM). Ele chegou ao Senado em 1990, com o afastamento do titular Carlos De Carli. Terminou esse mandato e reassumiu outro, em 1992, com a renúncia do titular Amazonino Mendes, eleito prefeito de Manaus.
O quadro este ano será o mesmo: eleitores vão escolher um terço dos senadores, sem nenhuma garantia de que o cargo continuará com o beneficiado pelo seu voto.

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