2005 foi um ano difícil, avalia Nedson
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domingo, 25 de dezembro de 2005
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
''Um ano politicamente difícil''. A avaliação em tom de desabafo é do quinto ano de governo feita pelo prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT).
A sensação do prefeito se justifica inicialmente pela crise que atingiu o partido em âmbito nacional, se estendendo para a cidade com a denúncia de irregularidades nas contas de sua campanha à reeleição. No final de julho, nove meses depois do segundo turno das eleições, a ex-assessora financeira da campanha Soraya Garcia, denunciou que teriam sido gastos na reeleição R$ 5,2 milhões a mais do que os R$ 1,3 milhão declarados à Justiça Eleitoral. A denúncia gerou dois inquéritos na Polícia Federal (PF), que atualmente estão suspensos aguardando o julgamento de um recurso ajuizado pelo diretório municipal do PT no Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Para Nedson, a questão municipal foi motivada por adversários políticos. ''Começou com a crise nacional que permanece até hoje e não é uma coisa simples. O partido foi atingido em cheio, lideranças estratégicas do partido atingidas e afetando parte da governabilidade por um período. Já retomou bem a ofensiva política mas teve uma fase dura e com o oportunismo do PSDB e da liderança maior deles em Londrina, que é o deputado federal Luiz Carlos Hauly, de criar uma situação, trazendo para dentro de casa a crise política nacional'', justificou. ''Foi um ano difícil sem dúvida, mas considero que conseguimos superar bem, principalmente com o processo de eleição interna do partido, foi acima da expectativa. A participação, as pessoas defendendo o partido, se estruturando, defendendo o governo Lula, o nosso governo municipal, as lideranças que temos no Paraná. Se engana quem acha que o PT, que as lideranças do partido estarão fragilizadas na eleição do ano que vem'', aposta o prefeito.
Além do ataque ao tucano Hauly, o prefeito também criticou a forma de oposição adotada pelo ex-prefeito Antonio Belinati (PP). ''O que aconteceu esse ano, diferente do mandato passado, é que os dois grupos políticos fortes que sempre se revezaram e mandaram na cidade, de um lado o Belinati e do outro o PSDB, que é controlado pelo Hauly, foram derrotados por mim na eleição passada. Com a minha vitória, de novo para 2008, esses dois têm seus interesses. Então o PT e o meu governo são inimigos dos dois ao mesmo tempo com toda força. Belinati usando a questão ligada aos servidores e o Hauly usando a questão nacional com o apadrinhamento aqui para a senhora Soraya'', analisou. ''Isso atrapalha politicamente mas procurei separar bem do dia-a-dia de governo, do trabalho da prefeitura, tanto que estamos colhendo os frutos, os projetos que plantamos'', salientou.
Na avaliação do prefeito, outro fator que ainda pode atrapalhar sua administração, são as eleições de 2006. ''Por isso estou procurando trabalhar bastante para deixar os projetos prontos este ano. Estou vendo muita parceria com Londrina e estou muito confiante que essa relação política vá continuar porque confio tanto na reeleição do (Roberto) Requião (PMDB), quanto na do Lula. Para a cidade de Londrina, não teria coisa melhor. Nesse período do governo Lula e Requião, é quando mais conseguimos captar recursos para a cidade'', disse.
Perguntado se a opinião não vai de encontro à definição do PT estadual de lançar candidatura própria, Nedson demonstrou que entende e apóia a posição do partido, mas reafirmou que em um segundo turno, PT e PMDB devem estar juntos. ''O partido tem uma necessidade. Ele precisa ter uma candidatura no Paraná que dê suporte à candidatura do Lula para presidente, porque não vai ter uma aliança nacional PMDB/PT'', explicou. ''Mas não tenho dúvidas. No Paraná, no segundo turno, seja quem for, vamos estar juntos'', afirmou. Acompanhe a seguir a avaliação de Nedson sobre os temas polêmicos de 2005 e a expectativa para 2006.


