2004 será um ano de desafios para Requião
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quinta-feira, 08 de janeiro de 2004
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba Em 2004, o governador Roberto Requião (PMDB) pretende dar sequência a seus projetos na área social. Uma das bandeiras de campanha do atual governo foi a inclusão social e o atendimento a famílias carentes. Também tem desafios como a queda-de-braço com as concessionárias do pedágio e o modelo elétrico nacional.
O governo pretende concluir até meados de 2004 a implantação do Programa Leite das Crianças, um dos principais programas voltados para famílias de baixa renda.
O Leite das Crianças tem como objetivo beneficiar 160 mil famílias pobres. Segundo o Palácio Iguaçu, desde o lançamento, em maio, foram atendidas 60 mil crianças de 100 dos 399 municípios do Estado. Foram priorizados os municípios com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
O programa foi criado para combater a desnutrição infantil e fomentar a cadeia produtiva de leite, pois o produto será fornecido por produtores locais. As famílias com renda inferior a meio salário mínimo e que tenham crianças entre seis meses e três anos têm direito a receber até dois litros de leite por dia.
Outro programa da área social que o governo coloca em prática este ano é a tarifa social da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). A exemplo do Luz Fraterna da Companhia Paranaense de Energia (Copel), lançado em 2003, as famílias carentes vão pagar menos pela água. Segundo o governador, a tarifa social de água corresponde ao programa de isenção de cobrança da tarifa de energia elétrica para as famílias de baixa renda que consomem até 100 quilowatts/hora por mês.
As famílias que tiverem renda igual ou inferior a meio salário mínimo (o equivalente a R$ 120) poderão pagar apenas R$ 5 por dez metros cúbicos de água, nos 342 municípios atendidos pela Sanepar. A tarifa de água subirá progressivamente a partir dos 10 metros cúbicos, sem que o benefício seja retirado. Cada metro cúbico acima de 10 terá uma tarifa menor da que é cobrada normalmente. A tarifa social deve beneficiar cerca de 360 mil famílias ou 1,4 milhão de pessoas.
A administração Requião continua apostando também nas isenções fiscais para pequenas e médias empresas. O objetivo é gerar renda e empregos.
Um dos desafios que aguardam Requião este ano é o modelo elétrico nacional. O governador vai precisar de muito jogo de cintura político em relação ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O governo do Paraná já bateu de frente com o governo federal na questão dos transgênicos. O governador tenta reverter o modelo elétrico nacional, que impõe perdas ao Paraná, como o impedimento do auto-suprimento.
A cobrança do pedágio no Anel de Integração é outro grande desafio. O governo planeja um pedágio de manutenção, para baratear as tarifas. Mas, por enquanto, só foi fechado acordo com uma das seis concessionárias, a Caminhos do Paraná, que concordou em reduzir as tarifas, mas, em compensação, passou a cobrar pedágio na Lapa.


