Cerca de 20% da população com mais de 18 anos nos principais centros urbanos do País não sabem quem é o presidente da República. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que ouviu 22,5 milhões de pessoas nas seis principais regiões metropolitanas (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador, Recife e Belo Horizonte) concluiu que dois em cada dez brasileiros desconhecem o nome do presidente e também do prefeito de sua cidade. Para os governadores a relação é ainda mais desfavorável: três em cada dez pessoas ouvidas não sabiam quem governa o seu Estado.
Usando como base os entrevistados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada esta semana, a equipe técnica do IBGE elaborou um levantamento suplementar para traçar o perfil político-associativo da população em idade economicamente ativa. A pesquisa apontou que apenas 8% dos entrevistados haviam feito contato com políticos. Nos dois anos que antecederam a consulta (de maio de 1994 a abril de 1996), os eleitores que procuraram os políticos - pessoalmente, por carta ou telefone - queriam fazer pedidos (47%) ou algum tipo de reivindicação (21%).
‘‘O nível de participação direta na política é também extremamente baixo’’, disse o presidente do IBGE, Simon Schwartzman, ao divulgar os resultados da pesquisa. Apenas 3% dos entrevistados são filiados a algum partido político e do universo de 22,5 milhões de eleitores ouvidos poucos conseguem diferenciar um partido do outro. ‘‘O único partido identificado como tal foi o PT, que tem uma estrutura mais parecida com os partidos de massa europeus’’, diz Schwartzman. O PT foi o partido mais citado por 48% dos entrevistados. O PSDB, PMDB, PFL e PDT também foram mencionados, mas de forma pulverizada entre os 52% restantes.
Isto não significa que o PT seja majoritário em eleições: 58% das pessoas entrevistadas disseram que sua referência de voto é o candidato e não o partido. E, na decisão sobre a escolha do candidato, a televisão ainda ocupa um papel importante: 59% utilizam a TV para decidir. ‘‘É um porcentual razoável, mas mostra que o poder da comunicação de massa não é tão absoluto quanto parece’’, diz o presidente do IBGE, acentuando que os jornais foram apontados por 27% dos entrevistados como um instrumento de peso na escolha. ‘‘Levando-se em conta que os leitores de jornais são, em sua maioria, formadores de opinião, isso também pode direcionar a escolha’’, comenta Simon Schwartzman.
Embora a TV seja o veículo mais comum como fonte de informação, usado por cerca de 80% dos entrevistados, a pesquisa demonstrou que seu peso na escolha do voto aumenta com o nível de instrução: a proporção das pessoas com mais anos de estudo que buscam nos programas de TV e o horário gratuito informação para decidir o voto é 1,5 vezes maior do que a daqueles com menos escolaridade. Cerca de 30% dos entrevistados mencionaram parentes e amigos como fonte também para decidir o voto. Já as igrejas, cultos e sindicatos, de acordo com a pesquisa, têm peso quase insignificante na escolha, pois são fonte de informação usadas por parcela muito reduzida da população.
Na parte relativa à participação associativa, foi verificada também a baixa participação dos entrevistados em sindicatos e órgãos representativos de classes ou de comunidades. Na comparação entre 1996 e 1988, quando dados semelhantes foram coletados durante a elaboração da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (PNAD), a participação praticamente não mudou, ficando em torno de 30% (31% em 1988 e 29% em 1996). A escolaridade também tem peso grande entre os participantes em entidades associativas: é três vezes maior a participação de pessoas com 11 anos ou mais de estudo em sindicatos e associações. A participação em greves e manifestações de protesto também apresenta tendência crescente entre os mais escolarizados.

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