20 do Paraná votaram pela reeleição
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quinta-feira, 30 de janeiro de 1997
Mari Tortato Sucursal de Curitiba 
A bancada paranaense contribuiu com 20 votos (5,9%) para o sucesso da votação da emenda constitucional que garantiu reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso na primeira votação do assunto na Câmara dos Deputados. Dos 30 deputados do Paraná, nove tiveram ausência registrada no painel eletrônico por integrarem o bloco dos contra a reeleição de FHC. Ricardo Barros (PFL) foi o único rebelde a permanecer em plenário e se manifestar com um não à emenda.
O número dos que aderiram ao sim para a reeleição era previsível. Uma estimativa feita pela Folha no início da semana apontava esse resultado, mas alguns votos causaram certa surpresa, caso de Valdomiro Meger e Dilceu Sperafico (ambos do PPB), que aderiram a FHC na votação. Meger tinha declarado à Folha que votaria contra a emenda e que Sperafico faria o mesmo.
Dos nove que integraram o bloco de obstrução da votação - que tinham posições contra a emenda da reeleição -, apenas João Iensen (PPB) não foi visto nas imediações do plenário momentos antes da estratégia de abandono do plenário. Um assessor do gabinete de Iensen disse que ele deixou a Câmara por volta das 14 horas. A votação começou depois das 16 horas. Iensen estava sendo assediado por Álvaro Dias para ingressar no PSDB, mas resolveu se manter na oposição, no partido do ex-prefeito Paulo Maluf.
Luiz Carlos Hauly (PSDB) comemorou a aprovação da reeleição em primeiro turno afirmando que o resultado do placar eletrônico - 336 votos - é a consolidação do governo FHC, que passa a ter uma situação ímpar, de maioria no parlamento. Países avançados conseguem apoio de dois terços do parlamento, no máximo, enquanto Fernando Henrique, hoje, tem três quintos, quase 70% dos deputados, avalia.
Hauly não admite que o resultado de terça-feira tenha tido um alto custo devido às negociações individuais. Não houve custo nenhum, apenas o voto de conciliação e de amor ao Brasil, afirma.
Ontem, o PSDB do Paraná foi reforçado com a filiação de três novos deputados. Os ex-pepebistas Basílio Villani e Renato Johnsson e o ex-petebista Odílio Balbinotti confirmaram o ingresso no ninho tucano, com assinatura das fichas em meio à votação dos destaques que passariam a regular a reeleição. O partido do presidente salta de dois para cinco deputados no Paraná.
Ganhamos a reeleição e ainda demos uma canja para o Lerner e os prefeitos que assumiram, com possibilidade de eles também concorrerem à reeleição, alfinetou Hauly. Segundo ele, o PSDB vai forte para a disputa estadual de 98, porque o presidente estará do nosso lado. Hauly provocou o governador Jaime Lerner a fazer uma declaração pública de que não é candidato à reeleição, já que era contra a emenda. O governador defendia o plebiscito, não a decisão pelo Congresso.
Integrante do bloco dos contra que esvaziaram o plenário, Padre Roque (PT) classificou a vitória da tese da reeleição-já como um duro golpe na Constituição de 88. A aprovação da emenda significa a quebra de um contrato jurídico firmado pela sociedade, que prevê apenas quatro anos para o presidente, disse.


