2% era para atender ao PT
Curitiba - Tanto Paulo Roberto Costa quanto Alberto Youssef explicaram para o juiz Sérgio Moro, que está a frente do caso na Justiça Federal que, em média, 3% sobre os valores dos contratos fechados pela Petrobras com grandes empreiteiras eram destinados a partidos políticos. Este índice poderia variar entre 2% a 5% conforme o valor e porte da obra a ser realizada. Dos 3%, 2% eram para atender ao PT, por meio da diretoria de Serviços. Eles completaram relatando que outras diretorias, como Gás e Energia e Exploração e Produção, que também tinham indicações feitas pelo PT, estavam "incluídas no esquema".
O 1% restante, segundo Costa, era destinado à diretoria de Abastecimento, cargo ocupado por ele, e que tinha indicação política do PP. "Em média, dependendo do contrato fechado pela Petrobras, este percentual podia variar. Deste total, 60% ia para o partido, 20% para despesas (nota fiscal para envio, por exemplo). Entre os outros 20%, 70% ficava para mim e 30% ia para o Youssef ou, até 2008, para o ex-deputado José Janene".
Costa ainda reforçou que recebia em espécie, normalmente em casa ou no seu escritório. Estes valores sempre eram entregues por Youssef e, anteriormente, por Janene. O engenheiro mecânico ainda lembrou que a diretoria Internacional da estatal tinha indicação do PMDB. "Possivelmente já acontecia antes de eu ir para lá (em 2004) porque estas empresas já trabalhavam com a Petrobras há muito tempo. As indicações de diretorias sempre foram políticas", ressaltou ele, durante o depoimento. Segundo Youssef, enquanto ele operava o esquema para o PP, João Vaccari (tesoureiro do PT) fazia o mesmo para o PT e o lobista Fernando Soares, conhecido como "Baiano", para o PMDB.
Indicações
Paulo Roberto Costa disse que foi indicado, em 2004, pelo então deputado federal José Janene, do PP paranaense - réu do mensalão do PT, que morreu em 2010. Segundo Costa, desde o governo José Sarney (1985/1989) as indicações políticas são rotineiras na Petrobras. Ele confirmou ainda que todos os diretores da estatal, bem como os presidentes - José Eduardo Dutra e depois José Sergio Gabrielli - sabiam de sua indicação política.
Ex-presidente
Questionado pelo próprio advogado se tinha conhecimento de que, alguns meses antes de Costa assumir a diretoria de Abastecimento, o diretor anterior foi retirado do cargo por não concordar em participar do esquema, Youssef negou. O doleiro informou, contudo, que, para que Costa assumisse o cargo, políticos trancaram a pauta do Congresso durante 90 dias. "O presidente da época, Luiz Inácio Lula da Silva, ficou louco, mas teve que ceder e empossar Costa na diretoria", disse.
Audiência
Outros três réus no processo que trata de desvios de recursos de obras da refinaria Abreu e Lima ficaram em silêncio durante a audiência. Esta é uma das dez ações penais da Lava Jato que estão tramitando na Justiça Federal do Paraná. Ao todo os processos abrangem 55 réus e duas delações premiadas já homologadas. (R.P. e R.C.J.)





