Apesar de 18 deputados terem votado contra a cassação do deputado Sérgio Naya (sem partido-MG), nenhum integrante da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) teve coragem de defender o parlamentar publicamente.
No debate que precede a votação, só os deputados a favor da cassação declararam os seus votos. A bancada de Naya ficou em silêncio e não pôde ser identificada. Para votar, o deputado tem de colocar o voto escrito ‘‘sim’’, ‘‘não’’ ou ‘‘abstenção’’ em um envelope. Na votação, os votos foram espalhados dentro da cabine, dificultando a identificação.
O advogado de Naya, Daniel Azevedo, chamou atenção com o seu discurso. Ele procurou demonstrar intimidade com os parlamentares, como forma de aliciar os deputados. Ao referir-se aos deputados do PT, ele disse: ‘‘Sinto-me à vontade para falar, dada a minha afinidade ideológica (com os deputados José Genoino e Luiz Eduardo Greenhalgh, ambos de São Paulo)’.
Azevedo citou a atuação de Genoino no regime militar. ‘‘Temos a obrigação mais intensa, mais larga, de acompanhar de perto todas as circunstâncias para não cometer injustiças. Nós que enfrentamos a ditadura’’, disse o advogado ao petista. Ele pediu ‘‘apoio simbiótico do PT, partido em que voto’’. Baiano, Azevedo referiu-se aos deputados da Bahia e citou o pai do deputado Nestor Duarte (PSDB-BA), um dos integrantes da comissão.
Naya acompanhou a sessão ao lado do advogado e do irmão Paulo Naya. Assessores e primos do deputado também estavam lá. Mesmo não sendo integrante da CCJ, o deputado Valdomiro Meger (PFL-PR) acompanhou a sessão. Ele também é alvo de processo de cassação, com o deputado José Borba (PTB-PR). Borba foi flagrado votando por Meger em votação do projeto de reforma da Previdência em 18 de março.
Osmir Lima (PFL-AC), que também sofre processo de cassação, participou da votação. Ele é acusado de ter recebido R$ 200 mil para votar a favor da emenda que permite a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. Lima foi absolvido pela CCJ, mas o processo será votado pelo plenário da Câmara.

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