Brasília - Entre as diferentes formas de contabilizar a extrema pobreza no País, o governo optou por definir como alvo do plano ''Brasil sem Miséria'', a ser detalhado nas próximas semanas, os que têm renda mensal de até R$ 70 por pessoa da família. Nessa condição, contam-se atualmente 16,3 milhões de brasileiros, ou 8,5% da população, segundo cálculos preliminares feitos com base no recém-lançado censo de 2010. Segundo o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), no Paraná há 306.638 pessoas em situação de extrema pobreza, o que corresponde a 2,93% da população do Estado.
Uma das principais promessas de campanha da presidente Dilma Rousseff foi erradicar a pobreza extrema ao longo dos quatro anos de mandato. Sobre a meta, a secretária extraordinária de erradicação da pobreza, Ana Fonseca, disse: ''Sim, nós faremos sim, nós vamos tirar as pessoas da extrema pobreza''. Ao seu lado, o presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eduardo Nunes, chamou a atenção para um detalhe técnico: ''É uma impossibilidade estatística chegarmos a um valor zero de miseráveis no País''.
A extrema pobreza não se limita à insuficiência de renda. Perfil apresentado pelo presidente do IBGE mostra que os miseráveis brasileiros têm menos acesso à energia elétrica, ao abastecimento de água, ao esgotamento sanitário e a banheiro em suas casas, que representam 7% dos domicílios.
Os miseráveis ocupam pouco mais de 4 milhões de domicílios no país. Entre as regiões do país, a incidência da pobreza extrema é maior no Nordeste. Moram ali 9,6 milhões (59%) dos miseráveis do país. A região Sudeste é a segunda em volume de pessoas em extrema pobreza (17%). Entre os estados do Sul, o menor índice de extrema pobreza é o de Santa Catarina. Com uma população de 6,2 milhões de pessoas, o MDS inclui no levantamento 102.672, o que corresponde a 1,64% dos catarinenses. Os números em relação ao Rio Grande do Sul são muito parecidos com os do Paraná. Entre os gaúchos, o percentual de pessoas na linha da extrema pobreza é de 2,89%.
Os dados mais contundentes dizem respeito ao nível de analfabetismo. O índice de analfabetismo absoluto, daqueles com mais de 15 anos que não sabem ler nem escrever um bilhete simples, é de 9,6% no País. Entre os extremamente pobres, o índice chega a 22% nas cidades e a 30,3% nas zonas rurais.
A ministra Tereza Campello (Desenvolvimento Social), responsável pela coordenação do plano ''Brasil sem Miséria'', disse que, com as medidas a serem anunciadas pessoalmente por Dilma Rousseff ainda em maio, será possível erradicar a pobreza extrema não apenas na dimensão da renda. ''É um um plano ambicioso e com ações complexas'', observou.

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