16 mil esperam por cirurgia em Londrina
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quarta-feira, 15 de junho de 2011
Loriane Comeli <br> Reportagem Local 
Ao lado do caos na Saúde em Londrina, em que faltam médicos e pessoas demoram para ser atendidas nas unidades básicas e dos desvios ocorridos através de duas organizações da sociedade civil de interesse público (Oscips), um antigo problema volta à cena: 16 mil pacientes aguardam desde 2008 por uma cirurgia eletiva - procedimento não urgente, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde repassados à Promotoria de Defesa da Saúde Pública.
Há anos o MP tenta fazer com que o município, que tem gestão plena do Sistema Único de Saúde, reduza a demora. O promotor Paulo César Tavares, diante do número assustador e dos pedidos de intervenção de vários pacientes, fez mais uma investida: ele encaminhou recomendação administrativa ao município para que no prazo de 120 dias atenda todos os cerca de seis mil pacientes que precisam de cirurgia geral, ginecológica ou ortopédica, cuja espera, passa de um ano nos três casos. Para se submeter a uma cirurgia geral, como reconstrução do trânsito intestinal, hérnia, refluxo ou vesicular, por exemplo, o tempo de espera chega a 401 dias, em média.
Um segundo pedido consta da recomendação: após dar vazão aos três tipos de cirurgias, todos os demais pacientes da fila devem ser submetidos aos procedimentos cirúrgicos eletivos em, no máximo, 60 dias. ''Essa demora causa sofrimento aos pacientes e o quadro, que não era de urgência, pode se agravar enquanto o procedimento não é realizado'', explicou Paulo Tavares.
O promotor disse ainda que a maior parte dos pacientes tem as cirurgias marcadas no Hospital Universitário, mas, constantemente, os procedimentos são adiados, já que aquela unidade tem uma rotina de superlotação. ''Então, é o gestor municipal quem deve organizar esse fluxo, fazendo com que os pacientes façam a cirurgia em outras unidades, como os hospitais da Zona Norte e Zona Sul.''
Cópia da recomendação do MP foi encaminhada à Câmara, aos hospitais de Londrina, ao Conselho Regional de Medicina e à Associação Médica. Tavares disse os desvios ocorridos em Londrina têm relação com o caos na saúde. ''Não saberia qual o impacto, mas toda vez que há falhas na atenção básica, a prevenção deixa de ser feita e as pessoas adoecem mais.''
O diretor executivo da Secretaria de Saúde, Márcio Nishida, disse que é impossível realizar seis mil cirurgias em 120 dias, porém, pretende, nos próximos 30 dias, fazer um planejamento com os hospitais e remanejar recursos para dar vazão à fila. Segundo ele, a grande demanda em Londrina se deve ao fato de que pacientes de várias cidades da região procuram aqui atendimento.


