O empresário e consultor Juan Monastério Mattos Dias foi preso ontem ao se apresentar ao Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Monastério é o 16º acusado de participação no esquema investigado pela operação Antissepsia e que teve a prisão temporária decretada na semana passada.
Segundo o advogado André Cunha, o consultor, que estava em viagem a Brasília, prestou serviços ao Instituto Gálatas antes do período de licitação com a Prefeitura, analisando documentos e planilhas de preços. O advogado afirmou que o cliente ''não fez nada de ilícito''.
''Ele foi contratado pelo Gálatas para orientar em questões técnicas na licitação, apenas isso. Ele colaborou com o MP respondendo a todas as perguntas, abriu o sigilo telefônico e fiscal mas mesmo assim insistiram para que ele ficasse preso'', afirmou Cunha, ressaltando que o fato de Monastério ter se apresentado espontaneamente deve ajudar no pedido de soltura, feito por ele ontem mesmo. ''Ele não participou de qualquer ato ilícito ou de corrupção de agentes públicos. A situação dele é bem diferente dos demais presos.'' Monastério foi encaminhado para o Centro de Detenção e Ressocialização de Londrina (CDR).
O promotor do Gaeco, Cláudio Esteves, afirmou que não poderia comentar o teor do depoimento de Monastério, nem se ele ajudou na investigação. ''Essa é uma avaliação a ser feita. Temos cautela de não ficar falando em nomes de pessoas porque a investigação ainda não foi concluída. Por isso, apesar das medidas drásticas que estão sendo feitas e os indícios de crimes extremamente graves, temos que cuidar para não fazer um julgamento prematuro'', concluiu.
Reincidente
Juan Monastério também é alvo de um ação ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF), em junho de 2010, que denuncia o desvio de R$ 300 milhões em verbas federais na área da saúde pelo Centro Integrado de Apoio Profissional (Ciap) - Oscip que anteriormente prestava os serviços básicos de saúde em Londrina. ''Ele também prestava consultoria para o Ciap, e a situação dele é satélite à investigação principal. Evidentemente que a justiça tem o direito de investigar e meu cliente de se defender'', alegou. Monastério chegou a ser preso durante a operação Parceria, deflagrada pela Polícia Federal.
Segundo o procurador de Justiça Luiz Antônio Ximenes Cibin, responsável pela ação em Londrina, Monastério é citado como um dos lobistas que entravam em contato com agentes públicos apresentando a entidade e as possíveis vantagens de se contratar a Oscip. ''Depois de firmados os termos de parceria, era feito uma espécie de rateio e cada um recebia a sua parte'', afirmou.
Conforme o MPF, a empresa do consultor Monastério e Monastério Ltda., recebeu R$ 630 mil do Ciap, entre 2006 e 2010. (Colaborou Cristiane Oya)

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