Maringá - Uma comoção coletiva marcou ontem o velório e enterro do prefeito de Maringá, José Cláudio Pereira Neto. Cerca de 100 mil pessoas passaram pelo ginásio da Vila Olímpica onde o corpo estava sendo velado desde às 16 horas de terça-feira. O enterro com honras de chefe de Estado foi realizado por volta das 18 horas no espaço reservado aos prefeitos no Cemitério Municipal. Foi a primeira vez na história de Maringá, que a morte de um político mobilizou e causou tanto sentimento de pesar na comunidade.
  As pessoas que compareceram ao velório tinham no rosto uma expressão marcada pela tristeza e a maioria não se conformava com a morte do prefeito, cuja eleição foi a primeira do Partido dos Trabalhadores em Maringá. Eram donas de casa, comerciantes, funcionários públicos, entre tantas outras pessoas anônimas que emitiam opiniões muito parecidas. ‘‘Depois de tanta roubalheira nesta cidade, é triste saber que elegemos um prefeito honesto que não conseguiu mostrar o seu trabalho até o fim do mandato’’, disse a dona de casa Maria Cândida dos Santos, 48 anos, que estava na fila de visitação para prestar uma homenagem ao prefeito.
  Uma parte do ginásio e quase toda a extensão da quadra estavam tomados pelas mais de 250 coroas de flores enviadas por amigos, políticos, empresas, escolas e entidades de Maringá e diversas regiões do Estado e do País. Uma das coroas foi enviada pelo presidente Lula e sua esposa Marisa. No período da tarde, foi realizado um culto ecumênico organizado a pedido dos familiares de José Cláudio que causou emoção coletiva no ginásio. As pessoas cantavam, choravam, oravam e aplaudiam o prefeito.
  Após o culto, a irmã do prefeito, Terezinha Beraldo Pereira, que o acompanhou durante os 15 meses de operações e tratamento contra o câncer no intestino, fez um discurso emocionado que coincidiu com a chegada dos políticos representantes do presidente Luis Inácio Lula da Silva (leia matéria nesta página). Terezinha afirmou que a presença do público no velório demonstrava o respeito e o reconhecimento ao trabalho de José Cláudio.
  Conforme Terezinha, a família Pereira firmou um compromisso com a morte de José Cláudio. Apontando para o corpo do prefeito, a irmã disse que ‘‘nunca mais, na cadeira onde sentou este homem, vai sentar bandido e raposa do dinheiro público’’. ‘‘O Zé não deixou herança material, só moral, porque ele entrou pobre e saiu pobre daquela prefeitura, graças a Deus’’, disse Terezinha. ‘‘Ele não tem fazendas, soja, colheitadeira e só deixou um Fiat Uno 2001 que ganhou dos amigos’’, completou a irmã em uma referência aos bens adquiridos pelo ex-prefeito Jairo Gianoto e o ex-secretário Luiz Antonio Paolicchi, no esquema de corrupção na prefeitura. O discurso de Terezinha arrancou aplausos demorados do público no ginásio.
  No encerramento do velório, o choro coletivo tomou conta das pessoas mais uma vez por causa da música que permeou a campanha eleitoral de José Cláudio. O caixão foi levado em um carro do Corpo de Bombeiros e durante o cortejo fúnebre por avenidas principais da cidade, o comércio baixou as portas e as pessoas ficaram nas calçadas aplaudindo a passagem.

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