A professora Maria Lucia Victor Barbosa acredita que a onda de moralização pode amadurecer o eleitorado. As pessoas estão ficando cansadas de se sentirem ludibriadas, afirma. Esse amadurecimento se faz por um aprofundamento ideológico. A política de hoje se faz de uma forma bem pragmática, o eleitor está sentindo um cansaço cívico.
Para o professor Valdir Gregory, a onda de moralidade passa pela idéia de bons costumes. Ele analisa que se a sociedade hoje está discutindo estas questões e ela tem reflexos na campanha política e na mídia, existe um longo processo na tentativa de conscientização.. Mas o professor também não acredita em mudanças bruscas. As mudanças ocorrem a partir de uma efetiva possibilidade de você participar da coisa pública, hoje complicada. Acho que nós perdemos alguns referenciais, entre eles o que é o Estado, o que é o bem público, qual é o limite entre o privado e o público. Não vislumbro com tranquilidade o que vai vir por aí.
O professor Marco Aurélio acredita que a onda de moralização não surge da população. Ela surge de setores de uma determinada camada da população, que tem um grau de acesso à informação, e principalmente a possibilidade teórica de interpretação... da qual a maioria da população está alijada. Não sei as pessoas, das quais se criticam com tanta ênfase por trocar seu voto por uma cesta básica, por dentadura...encantam essa onda de moralização com o entusiasmo em que ela é refletida principalmente na mídia. Então vejo essa onda de moralização como um basta de determinado setor da sociedade, que hoje já tem o que perder nas suas relações com o Estado, resolveu dar ao processo de deterioração administrativa, quase que de falência do Estado. Tenho muitas dúvidas com relação à onda de moralização.
A questão da moralização, para o professor Ricardo Costa Oliveira é analisada de acordo com a história. Ele resume: No período republicano, a República foi proclamada numa onda de moralidade. Depois, durante a República Velha tivemos vários movimentos sociais dentro de alguns quadros intelectuais pela moralidade, dos quais o próprio Ruy Barbosa criou uma mitologia que também agora pesquisas recentes desmitiram até onde iria a moralidade de Ruy Barbosa. Depois um outro movimento importante, o tenentismo, quase que que integralmente pautado numa onda de moralidade. Depois o movimento de 30, também a criação do varguismo tinha esse componente, a redemocratização nos anos 45 e 46 e a criação de um partido que tinha forte enfase na onda de moralidade: a UDN. Ainda depois tivemos o movimento de 64 também embasado na onda de moralidade, aí o regime militar, depois a redemocraticação acusando os antecessores. E depois mais uma nova onda nos anos 80. De fato que nós chegamos atualmente com dois partidos que formam o cerne do bloco no poder. Tanto o PSDB quanto o PFL eles são rachas de agremiações partidárias no sentido de uma onda de moralidade. Os dois surgiram um rachando em relação ao velho PDS, o PFL e também PSDB em relação ao PMDB neste sentido da onda de moralidade. Nós chegamos ao ano 2000 com índices de corrupção, que mostraram uma piora e até pesquisas internacionais revelam isso. Então não acredito em ondas de moralidade, o que podemos acreditar é a construção institucional, o aperfeiçoamento do aparelho de Estado. Enquanto houver política haverá corrupção.





