Agência Estado
Ameaçada de chegar ao prazo final dos trabalhos sem dispor dos dados para concluir as investigações, a CPI do Judiciário entra essa semana em outro ritmo, com os senadores tomando a frente na cobrança de informações solicitadas aos bancos e às empresas telefônicas. A iniciativa tem motivo. Das 130 contas bancárias que tiveram o sigilo quebrado pela CPI, apenas 4 delas, relacionadas às denúncias no Tribunal Regional do Trabalho da Paraíba, foram devidamente rastreadas.
O presidente da comissão, Ramez Tebet (PMDB-MS), acredita que esta semana devem chegar os dados que possibilitarão a convocação dos empreiteiros Fábio Monteiro de Barros e Eduardo Ferraz, donos da Incal e Ikal, empresas que superfaturaram nas obras do fórum trabalhista de São Paulo. Os dados recebidos até agora comprovam que eles desviaram R$ 162,28 milhões dos R$ 222,62 milhões repassados à obra. Não podemos entrar em recesso sem ouvir esses empresários, defendeu o presidente da CPI. Se fizermos isso, vão dizer que estamos empurrando o assunto com a barriga.
A investigação sobre a construção do fórum trouxe dois ingredientes diferentes: as suspeitas de envolvimento do senador Luiz Estevão nas obras e a ligação do ex-secretário-geral da Presidência, Eduardo Jorge, com o juiz Nicolau dos Santos Neto, que teria encabeçado o esquema de corrupção. A CPI constatou que Estevão recebeu 19 cheques da Incal no valor de R$ 5,11 milhões. Já Eduardo Jorge entrou na lista de suspeita depois de a quebra do sigilo telefônico mostrar que Nicolau lhe telefonou 117 vezes.
Para o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), a CPI corre o risco de dar em nada se não esclarecer a participação de Luiz Estevão no esquema. O mesmo é defendido pelo senador Dutra. Quanto à convocação de Eduardo Jorge - que será ouvido pelo Ministério Público de São Paulo, juntamente com Estevão - vai depender dos dados que a comissão espera receber esta semana. Ou seja, ele será chamado se ficar comprovado que a sua ligação com Nicolau avançou a ponto de ele ter atuado para liberar recursos para a obra, que desde a licitação era considerada suspeita.
Boicote O Departamento de Aviação Civil (DAC) é um dos órgãos que mais tem irritado os senadores integrantes da CPI do Judiciário. O senador José Eduardo Dutra (PT-SE) acusou o DAC de boicotar os trabalhos pela negativa em atender aos pedidos da comissão.
É o caso do ofício reiterado duas vezes sobre o nome do proprietário e dos passageiros do jatinho que transportava de São Paulo para Brasília os ex-presidentes do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, Délvio Buffulin e Nicolau dos Santos Neto. Um mês depois de receber o pedido, o DAC ainda não se manifestou.
Em outro pedido, sobre passageiros que teriam deixado o País num determinado período - para checar as denúncias sobre tráfico internacional de crianças, o órgão vinculado ao Ministério da Defesa informou que não dispõe desses dados.





