Agência Estado
Ao anunciar hoje o novo diretor-geral da Polícia Federal, o presidente Fernando Henrique Cardoso tentará não apenas acabar com a crise gerada pela nomeação de João Batista Campelo - que ficou no cargo somente 72 horas - mas indicará um candidato que reorganize e pacifique a PF. Se conseguir, será o primeiro presidente a realizar tal façanha nos últimos 15 anos, quando os militares deixaram o posto para um civil, o atual senador Romeu Tuma (PFL-SP).
Na relação de candidatos que o Palácio do Planalto tem nas mãos, dois nomes estariam na dianteira. O preferido dos militares e do setor de inteligência do governo é o delegado Zulmar Pimentel, já que não existe, pelo menos que se conheça, nenhum fato em sua carreira que o desabone. O outro é o superintendente da PF em Brasília, Paulo Gustavo Magalhães Pinto, sem ligações políticas, um dos quesitos, nesse momento, mais necessários para evitar nova crise entre os aliados.
Os outros três nomes - Marcelo Itagiba, Arthur Lobo Filho e Nascimento Alves Paulino - apesar de já terem sido analisados quando o Palácio do Planalto tentou substituir Vicente Chelotti, não estão em alta na atual lista. Os três possuem, mesmo indiretamente, algum vínculo político. Itagiba é assessor do ministro da Saúde, José Serra e, portanto, figuraria como o candidato do PSDB. Lobo, por ter sido indicado corregedor-geral da PF pelo ministro da Justiça, Renan Calheiros, corre o risco de ser interpretado como o nome do PMDB, enquanto que Paulino, delegado antigo da PF, poderia ser confundido candidato de alguns grupos da instituição.
Zulmar Pimentel é hoje um delegado de corredor, que na gíria policial significa sem cargo de chefia. Durante toda sua carreira, iniciada como agente em 1975 e como delegado em 1982, atuou na área de correição. Esse seria seu primeiro atrito com colegas, alguns punidos ou afastados. Teria problemas para formar seu time, diz um delegado com quem trabalhou. Só contaria com delegados aposentados, diz a fonte.
Dentro da PF, Pimentel tem fama de linha-dura, competente, honesto e arredio. Atuou apenas em dois casos importantes, como nos inquéritos paralelos do Esquema PC e na apuração de fraudes na previdência, que resultou no afastamento de vários delegados. Além disso, é aliado dos procuradores da República do Rio de Janeiro, uma ligação não bem aceita dentro da PF, que briga há vários anos com o Ministério Público.
Bem relacionado entre os colegas, sem vínculo político conhecido, Paulo Magalhães Pinto está há vários anos na superintendência da PF no Distrito Federal, onde sua atuação é bastante discreta. Por isso mesmo, está entre os preferidos. Mesmo que distante, Magalhães Pinto tem ligações com os militares, já que seu irmão, coronel Souza Pinto, chegou a ser comandante da Polícia Militar no governo petista de Cristovam Buarque (Distrito Federal). Ele seria ligado ao senador Romeu Tuma, mas sempre teve boas relações com outros ex-diretores.





