Carmem Murara


Criada em 1954 pelo então governador Bento Munhoz da Rocha, a Companhia Paranaense de Energia se transformou em referência nacional de empresa
bem-sucedida e eficiente no setor de geração, transmissão e distribuição de energia. Dentro do Estado, se tornou orgulho dos paranaenses, que sempre a colocaram como destaque no cenário nacional. Na semana passada, a mesma população teve a notícia que a Copel passará pela sua maior mudança desde sua criação. A empresa será privatizada em um ano e meio, aproximadamente, entrando no caminho trilhado pela maioria das companhias estaduais de energia, no País.
O passo inicial do processo de privatização foi dado na terça-feira, quando o governador Jaime Lerner assinou o decreto que cria o Conselho de Desestatização da Copel. Para presidir a comissão, foi convidado o ex-governador Ney Braga - um dos maiores responsáveis pela Copel ter chegado onde está. Foi Ney Braga, em seu primeiro governo, entre os anos 1961 e 65, que mudou o perfil da Copel, colocando a empresa como uma das únicas superavitárias do sistema nacional de energia.
A privatização é considerada um caminho irreversível para o governo do Estado. O próprio governador Jaime Lerner, contrário a venda da empresa até meados de 97, mudou de idéia e hoje defende a desestatização. O governo diz ter percebido que manter a Copel nas mãos do Estado seria perder competitividade e sucatear a empresa em poucos anos. À frente do comando da companhia desde 1995, o presidente da Copel, Ingo Hubert, 50 anos, concedeu a seguinte entrevista à Folha

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