Zoneamento para cana e mais plantio de café
Três boas notícias divulgadas neste Jornal foram a determinação do governador Roberto Requião de implantar um zoneamento para plantação de cana no Paraná; o lançamento de um plano de revitalização da cafeicultura no Estado; e a proibição pela Justiça Federal em Jacarezinho de queimar a palhada dos canaviais. A razão do zoneamento - necessário neste momento de tanta euforia para produzir combustível automotor à base da cana - é impedir a invasão de áreas produtoras de alimentos. O governador preocupa-se com um eventual excesso de corrida para a cana, face ao estímulo para exportação de combustível.
Certo é que, se o biodiesel alimenta os motores, não alimenta seres humanos, porque mais cana no lugar de plantas alimentares significa diminuição da produção de gêneros alimentícios, que são o ponto forte da economia do Paraná e interessam a todo o Brasil e, por extensão, à humanidade inteira. Requião alerta, a respeito, que ''a invasão de áreas protegidas é uma degradação séria ao meio ambiente''. É sensata a posição do chefe do Governo ao afirmar que não é contrário à produção do biodiesel - tanto que está obtendo recursos junto ao BNDES para o financiamento de novas usinas - mas que é preciso analisar com cautela essa mudança de fontes energéticas. O zoneamento e o georreferenciamento da produção de cana ficarão a cargo da Secretaria de Agricultura.
Outra boa informação é que, por decisão liminar da Justiça Federal em Jacarezinho, fica proibida a queimada de canaviais no Norte Pioneiro. A razão do despacho é, como de conhecimento notório - que a queima da palhada (que ocorre antes do corte) representa dano nefasto ao meio ambiente, mais o risco físico do fogo e da saúde da população. Esta é uma contradição na opção entre o combustível vegetal e o fóssil - este mais poluidor - porque as queimadas também geram gases nocivos. O argumento do procurador da República, Marcos Angelo Grimone, é que o Instituto Ambiental do Paraná não tem competência para autorizar a queima, mas apenas o Ibama, e pela decisão o IAP fica impedido de conceder licença para queimadas. Em tempo de precaução mundial pelo risco do aquecimento global e pela contenção da poluição, medida como esta é relevante. Porque ou se faz ou não se faz.
E a decisão de estimular o plantio de mais café - anunciada durante a Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina - traz de volta os ideais da cafeicultura, que gerou tanta riqueza no Paraná e foi a responsável pelo veloz crescimento da economia e das cidades. A intenção é aumentar a produção de 100 mil para 140 mil hectares, o que elevaria a colheita para 3,5 milhões anuais de sacas, no Paraná, e geraria 20 mil empregos diretos e indiretos. A produtividade média estadual era de 7 sacas/ha, mas com o plantio adensado, o uso de sementes melhoradas e a assistência técnica, a produtividade pode chegar a 25 sacas por hectares. Um importante filão econômico do Paraná.





