Li reportagem da Folha de Londrina sobre a decisão da procuradora do Trabalho da 9ª Região sediada em Curitiba em manter a proibição do trabalho de menores de 18 anos na Zona Azul em Londrina, o que muito me surpreendeu, como também li a opinião da Folha na edição do dia subsequente a respeito dessa decisão, o que muito me agradou.
A Escola Profissional e Social do Menor de Londrina (Epesmel), na qual eu e minha esposa, com muito orgulho, tivemos a honra em ter participado do ‘‘Grupo de Apoio’’, juntamente com muitos outros casais desta cidade, desenvolve, como sabemos, um brilhante trabalho junto aos menores moradores de Londrina e região, dando-lhes uma estrutura educacinal, social, profissional e financeira.
É de conhecimento público e notório o fato de que essa abnegada entidade tem evitado que muitos menores perambulassem pelas ruas de nossa cidade, à mercê de drogas e dos mais diversos vícios que se possa imaginar, sem nenhuma esperança de um futuro melhor, e que hoje, orgulhosamente, se identificam como jovens portadores de uma profissão da qual se servem para o seu sustento e, muitas vezes, de toda a sua família.
Tirá-los, agora, de uma atividade que já exercem com muito amor e carinho e que lhes propicia os meios necessários não só à sua sobrevivência como também até de seus familiares, sob a alegação de ser um trabalho ‘‘ilegal e perigoso’’, constitui, realmente, um ato desprovido de qualquer sensibilidade humana que, sem dúvida alguma, surpreende a todos que lutam pelo extermínio da delinquência infantil.
Mesmo porque, não seria justo trocar o serviço já existente que proporciona a cada um desses menores o recebimento de um salário de R$ 220,00, por outro incerto, indicado pela procuradora do Trabalho, correndo o risco de se tornarem delinquentes, pois, sendo carente o mercado de trabalho, dificilmente conseguiriam acomodar-se em empresas desta cidade.
Creio que a nobre procuradora do Trabalho também deseja, como todos nós desejamos, que os meninos da Epesmel, ora atingidos pela sua proibição do trabalho, tenham uma vida mais digna e humana e, com isso, possam se livrar da delinquência e do vício, males esses que tanto proliferam na vida de muitas pessoas e, principalmente, entre os jovens.
Todavia, isso não se resolve dessa maneira, menosprezando o trabalho respeitável da Epesmel, existente ao longo de muitos anos e que é totalmente voltado ao bem estar do menor.
Por outro lado, não se tem notícia, desde o início da atividade da Zona Azul em nossa cidade, de que um desses meninos tenha sido vítima de alguma ação criminosa que a citada procuradora tanto teme que possa ocorrer, a não ser a única reportagem publicada pela Folha no início de abril, informando, a título de precaução, que os fiscais da Epesmel estariam sendo ameaçados por arrombadores de carros no centro da cidade, que, nesse caso, entendo que a repressão a tais atos é da competência da Polícia Civil.
É oportuno repetir aqui a frase final contida na citada Opinião da Folha, que diz: ‘‘À guiza de proteger os menores a autoridade pode estar lhes sentenciando um castigo’’.
Portanto, desejo registrar neste espaço não só o meu particular apoio à Epesmel, como também da entidade sindical dos corretores de imóveis que represento, sediada em Londrina e com jurisdição em mais 47 outras cidades da região, a fim de manter o trabalho na Zona Azul desses menores, evitando, assim, que os mesmos não se tornem futuros delinquentes de rua, diminuindo, com isso, o volume do percentual negativo dos tantos quantos já existem em nossa cidade e no país, pois, o futuro de nossa pátria certamente será entregue aos jovens de hoje.
- JUVALDIR BILHÃO, advogado, é presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis de Londrina (Sincil)

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