Zelar pelo controle sanitário bovino
É de 10 bilhões de dólares a previsão de exportação de carne bovina este ano, e não se pode deixar escapar esse faturamento por descuido no controle sanitário animal. Porque negligências e a facilidade de falsificar guias de embarque motivaram duras críticas de compradores externos. O Ministério da Agricultura e Pecuária ao menos age e, a partir do dia 21 deste mês, os lotes transportados precisarão ter a nova Guia de Trânsito Animal que será impressa em papel especial e emitida pela Casa da Moeda.
O modelo atual, de papel comum, pode ser falsificado com facilidade - admite a Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério. E afirma que a nova guia propiciará mais rigor no controle. O novo documento tem código de barras, fundo de segurança anticópia, bordas com a inscrição ''Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento'' em microletras e tinta invisível reagente à luz ultravioleta. Tudo isto atestará que o documento é verdadeiro. O uso dessa guia passará a ter obrigatoriedade nacional, o que não ocorre hoje.
O último drama vivido pelo surto de febre aftosa, que atingiu diretamente três municípios de Mato Grosso do Sul e resultou em prejuízo também para o Paraná, foi penoso demais para os negócios da pecuária e para a exportação de carne. Até agora os mato-grossenses acumulam perdas de 1 bilhão de dólares, conforme números da Federação da Agricultura e Pecuária daquele Estado. Porque essa região, que era a maior exportadora de carne bovina, perdeu 60 mercados. O Brasil fornece carne, hoje, para 140 destinos externos. E agora, a notícia de que o Reino Unido detectou um foco de aftosa (no sul da Inglaterra), aumenta a possibilidade da recorrência ao produto brasileiro.
Não é desejo o infortúnio alheio para benefício próprio, porque também o Brasil viu-se prejudicado com o affaire da aftosa e, literalmente, sofreu na carne a angústia de ver-se em tal situação. Foi um período de grande desalento no setor da pecuária bovina, uma das alavancas da economia brasileira e angariadora de preciosos dólares. O zelo pela defesa sanitária deve ser do Governo mas sobretudo dos pecuaristas, que são os mais diretamente interessados em seu próprio negócio e também os primeiros a pagar a conta se as coisas descambam. O vasto mercado já existente - do consumo interno e da exportação - é uma valiosa conquista a preservar. Zelo extremo significa dinheiro e ninguém deseja jogá-lo fora.





