Os sistemas sociais despreocuparam-se tanto com o risco representado pela intensificação das misérias que agora a situação chegou a um ponto de explosão e de descontrole. E o que antes era um mal apenas de uma camada social - a dos miseráveis - agora passou a ser também das comunidades ricas e da sociedade estabilizada. O que acontece em Londrina com os jovens infratores - que agora também molestam os professores nas escolas - vem ocorrendo, de resto, em todo o Brasil, porque os bolsões de pobreza já quase alcançam, em proporção, o número dos que desfrutam de bem-estar.
''Esses jovens já se consideram lixo da sociedade, e a rejeição acende ainda mais a raiva dos adolescentes'' - declara a educadora Jaqueline Micali. ''São jovens que não sabem conviver em família, em escola e em sociedade. Eles perderam referenciais'', no dizer da promotora da Infância e da Juventude, Édina Maria Silva de Paula. Um mal social pode começar no simples ato de uma empresa demitir um trabalhador, porque não há forma fácil de recuperar o emprego, e se esse cidadão é um chefe ou arrimo de família, quem paga é toda a comunidade familiar. A queda para a delinquência pode ser um passo.
A instabilidade econômica, motivada pela ausência de políticas públicas e pelo arrocho tributário, coloca também a empresa na corda bamba, e ao final os resultados aparecem, como agora acontece e com tendência de se agravarem. A corrupção governamental deixa também seus exemplos e seus reflexos, porque os maus políticos converteram-se numa praga social e são um peso para a nação, até o ponto em que não dão garantia de que irão fazer alguma coisa para gerar desenvolvimento e eliminar o desemprego, a insegurança empresarial, a precária habitação de metade da população brasileira, a fome rondando os lares. Hoje esses maus parlamentares e governantes, desde os núcleos municipais até os relevantes cargos da República, formam a quase totalidade, porque nenhum deles recusa ganhos astronômicos ou se coloca contra eles, significando que são todos igualmente gananciosos e pouco patriotas.
E sobre tudo isto, campeando soberano, está o tráfico de drogas, responsável por tantos males mas que o Governo não combate. O Exército Nacional está aí, oneroso e não acionado (porque esta é uma decisão presidencial) e os sistemas de repressão sabem quem são os chefões e também conhecem as rotas do tráfico. Famílias, escolas, organismos públicos e instituições religiosas e assistenciais fazem o que podem - e devem persistir nessa tarefa, ou o caos será total - mas nas macroinstâncias ninguém move uma palha. E também os segmentos mencionados não formam toda a sociedade, que é exclusivista e cuida de preservar-se, não muito propensa a dar cotas de contribuição. O Estatuto da Criança e do Adolescente determina que a obrigação de zelar pela infância e pela juventude é dividida entre a família, o Estado e a sociedade.

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