Beneficiado novamente por um acordo de delação premiada, o doleiro londrinense Alberto Youssef presta depoimento à Justiça desde quinta-feira. Segundo os promotores, a diferença desta vez é que o doleiro teria se comprometido a apresentar vasta documentação para comprovar todas as suas revelações. É a diferença para os depoimentos do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que não apresentou qualquer prova.
Youssef está preso desde março em Curitiba. Ele é acusado de liderar um megaesquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que teria movimentado R$ 10 bilhões oriundos de desvio de dinheiro público, tráfico de drogas, entre outros crimes. Esta não é a primeira vez que o doleiro foi preso. Em 2004 ele já havia firmado acordo de delação premiada para revelar detalhes do "caso Banestado". No entanto, não só descumpriu o pacto, uma vez que voltou a praticar atividades ilícitas, como não delatou as pessoas mais importantes do esquema, na avaliação da própria Justiça.
Agora, já que lhe foi concedido o benefício mais uma vez, é de se esperar que ele cumpra sua parte e revele detalhes do caso que chocou a opinião pública. É importante avaliar ainda a credibilidade tanto das suas palavras como das de Costa. Se os dois são acusados de praticar uma vasta gama de irregularidades, é importante checar a veracidade de suas palavras até para que não ocorram falsas incriminações e para que todos os envolvidos sejam responsabilizados e que respondam por seus atos sem exceções.
A corrupção é uma prática que precisa ser extirpada da vida pública do País. Os brasileiros não podem continuar a aceitar esse crime como se fosse parte da atividade política. Não é. Criminosos têm que ser punidos e responder por seus atos como qualquer outro. Além disso, seria importante a criação de mecanismos para que o dinheiro desviado voltasse aos cofres públicos. Permanecer pouco tempo preso, mas depois desfrutar da fortuna desviada dos cofres públicos é uma afronta aos brasileiros.

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