A sociedade brasileira não pode admitir que o doleiro Alberto Youssef seja novamente beneficiado por um acordo de delação premiada com a Justiça brasileira. Preso desde 17 de março em Curitiba durante a Operação Lava Jato, ele é acusado de comandar um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou cerca de R$ 10 bilhões. Youssef é réu em 12 processos e, se condenado, pode pegar mais de cem anos de prisão.
Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o doleiro teria enviado sinais ao Ministério Público e à Justiça de que quer fazer um acordo. A lei brasileira prevê redução de pena para colaboradores. No entanto, importante lembrar que em 2007 ele foi beneficiado pelo programa, mas não cumpriu a promessa de que não voltaria a atuar no mercado de dólar. Na ocasião, segundo avaliação da Polícia Federal, o doleiro entregou clientes menos importantes e preservou os grandes.
Desde que a Operação Lava Jato foi deflagrada, quase que diariamente surgem notícias que acrescentam novos fatos ao grandioso esquema. Deputados, senadores, diretores das principais estatais e de ministérios, a influência do doleiro parece não ter limites. No entanto, cabe a ressalva de que Youssef não agia sozinho e, por isso, é importante que todos os envolvidos sejam responsabilizados e que respondam por seus atos.
A corrupção é uma das práticas mais perversas da política brasileira e que precisa ser banida. É por causa do desvio de dinheiro público que a infraestrutura do País é extremamente deficitária, que a saúde e a educação continuam com baixa qualidade e que grandes estatais – como a Petrobras – registram prejuízo em balanços contábeis. É hora de a sociedade exigir mais transparência aos processos e garantir que as leis sejam cumpridas. O País não pode continuar à mercê de políticos inescrupulosos que não têm qualquer pudor em desviar recursos públicos.

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