Yeltsin ordena retirada da Chechênia
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domingo, 24 de novembro de 1996
France Presse 
MOSCOU - O presidente russo, Boris Yeltsin, assinou ontem um decreto no qual ordena a retirada total das tropas russas da Chechênia, levantando, assim, o último obstáculo para a conclusão de um texto regulamentador das relações russo-chechenas até as eleições de janeiro próximo nessa república caucasiana.
O obstáculo para a assinatura era, até o momento, a retirada das tropas, exigida pelos separatistas e recusada por Moscou, o que atravancava a organização das eleições presidenciais e legislativas na Chechênia, um dos pontos mais importantes dos acordos de paz concluídos em agosto passado.
O objetivo político de Yeltsin está claramente indicado na introdução de seu decreto, que se intitula Sobre as medidas destinadas a garantir a perseguição de uma solução pacífica na república chechena.
A retirada das duas brigadas restantes destina-se a concluir o programa de reconciliação, a garantir o direito eleitoral dos cidadãos e a terminar a desmilitarização da Chechênia, de acordo com a introdução do texto, difundido pelo serviço de imprensa do Kremlin.
Até agora, Moscou tinha a intenção de manter essas duas brigadas - um total de 5 mil a 6 mil homens - na Chechênia. Mas, com as novas disposições, elas serão instaladas em um distrito militar ainda a determinar no Cáucaso norte.
Os separatistas chechenos exigiam a retirada total dos soldados russos antes da realização das eleições presidencial e legislativa, em 27 de janeiro. O texto, que levanta o último obstáculo, ainda deve ser assinado pelo primeiro-ministro Víctor Chernomirdin e pelo chefe do governo de coalizão checheno, Aslan Masjadov, antigo comandante das forças rebeldes.
Este acordo servirá provavelmente de base para definir as relações entre Moscou e Chechênia depois das eleições (que segundo todas as previsões, serão vencidas pelos separatistas) e durante o período de transição de cinco anos previsto para acordos de paz.
Aceitação O estatuto definitivo da Chechênia será negociado ao final desse período de transição, tal como foi estabelecido nas negociações de agosto. Os acordos assinados pelas duas partes puseram um fim a 21 meses de guerra, matando pelo menos 40 mil pessoas.
O secretário do Conselho de Segurança russo, Ivan Ribkin, encarregado das relações com os chechenos, afirmou na semana passada que o projeto de acordo já estava totalmente aceito pelas duas partes e que a assinatura era uma questão de dias. Ao mesmo tempo, os separatistas declararam que a retirada das tropas não estava satisfatoriamente resolvida.
Desde agosto passado, os soldados russos que permaneceram destacados na República da Chechênia estavam praticamente confinados em seus acampamentos e quartéis. Entretanto, os separatistas estimavam que o simples fato de sua presença em território checheno já constituia uma ameaça de grande risco e poderia criar incidentes com pessoas que poderiam tentar fazer uma vingança pessoal.
O ministro russo do Interior, Anatoli Kulikov, abertamente contrário aos acordo de paz com a Chechênia, declarou no início deste mês que as duas brigadas russas deveriam ficar ainda cinco anos na Chechênia.


