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sexta-feira, 27 de janeiro de 2023
Ronan Wielewski Botelho 
Tabuleiros. Peças. A vida não deve ser vista como um jogo, mesmo que sendo-nos servida diariamente em doses de disputas e ocupação de espaços. Recentemente, nosso governador reeleito, sr. Ratinho Junior, decidiu que politicamente um homem branco deveria assumir a Secretaria da Mulher e Igualdade Racial do Paraná. Voltou atrás, mas esta decisão fez o governador passar dias de cavalo emprestado.
Escrevo desde já no melhor e mais forte bronze que longe de mim defender o nome indicado pelo governador do Paraná. Não conheço e não pertence ao nosso esforço aqui acastelar os fatos. Mas, há um ponto disto tudo importante, muito importante mesmo, para reflexão.
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Qual o problema de um homem branco assumir uma secretaria de defesa da mulher e igualdade racial? O que se busca é a defesa de ações afirmativas ou apenas expor diferenças? Queremos estreitar as pessoas ou manter as lacunas sociais?
Frisa-se que não há defesa do nome proposto, mas acentuar a “pré” conceituação de modo geral. Para exemplificar melhor façamos a indagação de forma invertida, como o filósofo grego Sócrates gostava de dialogar quando buscava entender melhor qualquer situação.
Por que uma mulher sempre é indicada para ser representante quando o cargo é ligado às causas femininas? Dá para melhorar a questão. Uma mulher tem capacidade de falar sobre qualquer tema, não precisa ser chamada apenas para defender os temas ligados ao seu gênero.
O que se busca quando temos uma secretaria ou ministério da Mulher e Igualdade Racial é a solução de problemas históricos, logo devemos priorizar pessoas que tenham bagagem da educação formal e informal na luta destas defesas.
É preciso mudar esta cultura, que ontem fazia muito sentido. Direitos e igualdades foram conquistados por lutas das classes afetadas e omissão da maioria que apenas assistia. Hoje, quero acreditar que existe muita gente praticando a empatia na prática. E somente quando um homem branco ( e competente) ocupar uma Secretaria da Mulher e Igualdade Racial e fizer uma gestão exemplar que vamos ter mais apoio.
Mudaremos o foco. Uma pessoa com deficiência física pode ser ouvida em palestras e debates não apenas no tema específico deficiência física, mas em qualquer outro tema. A defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência cabe a todos nós e não apenas de quem sofre com as barreiras físicas.
Ora, assistimos (a maioria) perplexos ao ex-presidente da Fundação Palmares, sr. Sergio Camargo, que é negro, atacar pessoas negras apenas para fazer média com seu superior e se manter no cargo. Um absurdo que felizmente passou e deixou ensinamentos.
A vida não pode ser como um jogo de xadrez, pedras brancas de um lado e pedras pretas de outro. Não estamos organizados em tabuleiros. E mais, a mistura de cores não representa apenas um arco-íris, mas uma nova forma de pensamento que somos todos iguais e misturados.
Ronan Wielewski Botelho, filósofo e advogado
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