A família de Yoshio Kuriki sentiu na pele as dificuldades de readaptação ao Brasil, depois de oito anos morando no Japão. Seu filho mais velho, Wellington Kuriki, atualmente com 16 anos, foi para lá com quatro anos e logo em seguida começou a cursar o jardim de infância. Na volta, curso primário que pelo currículo japonês dura seis anos concluído e cultura japonesa totalmente assimilada, foram muitos os problemas enfrentados.
O pai explica que um documento expedido pela escola frequentada por Wellington dava direito à matrícula na 7 série do ensino fundamental brasileiro. Mas, por sugestão da própria família, o garoto foi para uma turma de 6 série. Mesmo assim, a reprovação foi inevitável. Wellington não falava português e, paralelamente, passou a frequentar a Escola Seishi Gakuen. Ali, além de ser compreendido na língua japonesa, reaprendeu a falar português.
''O conhecimento que tinha adquirido lá não ajudou muito'', lembra o adolescente, afirmando que as dificuldades de comunicação e a adaptação à metodologia das escolas brasileiras foram os principais desafios. Hoje o garoto frequenta o 1º ano do ensino médio, e não vê a hora de concluir o 3º ano para voltar à terra de seus antepassados. ''Passei cerca de metade da minha vida lá. Aqui tem mais verde e menos poluição, mas lá a economia está mais estabilizada, o espaço urbano é mais organizado'', justifica Wellington.
Yoshio Kuriki diz que se tivesse noção dos problemas que seriam enfrentados pelo filho não teria largado tudo aqui no Brasil para morar no Japão. ''Financeiramente até que foi bom, mas as desvantagens acabaram sendo maiores. Lá eu só via meus filhos dormindo, nossos horários não batiam. Eu larguei minha carreira de professor no Estado. Se tivesse continuado aqui, já era para estar me aposentando'', lamenta Kuriki, que hoje trabalha como feirante para sustentar a família.

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