Nizan Guanaes, sempre oportuno, disse, num congresso, que, depois que assumiu o lugar de CEO da Ig, passou a ver o mundo como o menininho do filme ‘‘Sexto Sentido’’: ‘‘Vendo os mortos passear em meio aos vivos.’’ Para Nizan, os mortos são as pessoas que ainda não entraram na era da informática e da Internet.
Não discordo de Nizan, mas também não esqueci de que ele afirmou, ao deixar a agência para ingressar no mundo virtual, que não entendia muito de informática, mas entendia de gente. Tenho certeza de que, nesses poucos meses, deve ter aprendido bastante sobre informática – e não deverá ter esquecido o que sabe sobre gente...
Gente e tecnologia são os ingredientes importantes da nova ciência do WebMarketing. E um dos principais problemas a resolver é que há, hoje, não só no Brasil, mas em todo o mundo, uma generalizada tendência radicalizante: quem entende de tecnologia não entende de gente e quem entende de gente está pouco à vontade com a ‘‘nova inteligência’’.
Não precisa ser assim. Afinal de contas, a Web é uma rede mundial de computadores pessoais, que são herdeiros dos computadores das primeiras gerações, que usaram discos, fitas e cartões perfurados, que descendem dos sistemas Holerith, que têm raízes nas máquinas manuais de calcular, nas máquinas de escrever, enfim, da mecanografia que deu início a um movimento de renovação na maneira de trabalhar das pessoas.
Se se pensar bem, o atual PC – que ainda poderá incorporar a televisão (ou ser por ela incorporado) – não passa de uma fusão de instrumentos, no que chamamos de Estação de Trabalho (ET). Os PCs não são importantes; importante é o que as pessoas fazem com seus PCs. E isso não é difícil de acessar: comunicam-se pela Internet, trabalham, brincam, fazem transações, estudam...
WebMarketing – praticar marketing na Internet, portanto, não significa desenvolver novos códigos para comunicar-se e vender coisas a robôs e sim valer-se das vantagens da nova tecnologia para praticar o mesmo velho marketing de sempre – quem sabe, um pouco mais e um pouco melhor.
Perguntar quem é o seu mercado, quando se está fazendo contato através da Web, tem muito sentido. Quem são os seus 16 milhões de interlocutores, que estarão operando alguma coisa em torno de 8 milhões de computadores no Brasil. Onde estão? Qual a sua idade? Poder aquisitivo? Não há dados absolutamente confiáveis, mas há dados que podem ser consultados. E é mais do que evidente que o WebMarketing lida com gente jovem das classes média alta e alta, que constituem esses 10% da população.
O marketing-mix da Web começa estritamente de acordo com a regrinha dos quatro ‘‘P’’. ‘‘Que produtos/serviços oferecer ao internauta? Produtos que serão entregues pelos canais de distribuição convencionais – e aí a rede funcionou apenas como um telefone ou fax – ou que podem ser fornecidos on-line, como informação paga, software, gravações sonoras e, futuramente,
audiovisuais? Preço não é a questão maior, mas os meios de pagamento são. E, no momento, os oferecidos pelas empresas financeiras são altos para quem vende. Há muitas oportunidades de inovação nessa área.
Distribuição é o de que tratávamos no parágrafo acima. Um fato da vida virtual é que, por enquanto pelo menos, só pode ser entregue via Web o que puder ser transformado em impulsos eletrônicos – e isso é um grande fator limitativo.
O último dos 4 ‘‘P’’ – a comunicação (promotion, na fórmula original) é, indiscutivelmente, o ponto mais forte do novo WebMarketing. Todos os estudiosos do fenômeno Internet concordam nesse ponto: a Web é um novo e poderoso meio de comunicação, dotado de som e imagem, como a TV, interativo como o telefone, transportador de quantidades ilimitadas de informações impressas... Não acredito que os profissionais da comunicação tenham sequer arranhado a superfície dessa vasta gama de novas possibilidades – basta navegar para constatar. Mas aí, como dizia o filósofo: se os jovens soubessem o que sabem os velhos e os velhos pudessem o que os jovens podem.
Só que, no caso de WebMarketing, querer, de fato, é poder.
- J. ROBERTO WHITAKER PENTEADO é professor e dirigente de instituição universitária no Rio de Janeiro

mockup