A clonagem de humanos




Walmor Macarini



O médico norte-americano Ferid Murad, Prêmio Nobel de Medicina de 1998, diz que a clonagem humana é possível e, muito mais, que se poderá clonar personagens como Hitler e Napoleão. ''Se há DNA disponível e dinheiro, é possível'' ele afirma. Naturalmente que afirmações como esta abalam os conservadores do mundo. Mas que mal existe em reproduzir fisionomicamente pessoas como aquelas duas figuras históricas?

Uma tal reprodução não seria mais que física. Os espíritos que se incorporariam nesses novos corpos não seriam os mesmos do fuhrer e do extravagante imperador francês. Portanto, poderiam surgir desses clones duas cândidas criaturas, ou eventualmente ainda piores que as matrizes, porém sem vinculação com elas quanto à essência. E se eles fossem produzidos em série, com a suposta intenção de criar um exército de iguais em comportamento, como imaginar a correspondente fragmentação espiritual?!

Há muita desinformação (ou mudez) dentro da área científica quanto à clonagem humana, porque a ciência convencional não considera questões transcendentes. Ao passar ao largo desse detalhe, o faz até por desconhecer esse campo. E mesmo que alguma centelha intuitiva dos cientistas lhe acene para a impossibilidade de trazer espíritos de volta por via de clonagem dos corpos que ocuparam, eles não incursionam por essa trilha, sob o risco de destronar velhos dogmas e trazer à tona discussões inconvenientes à luz de seu limitado conhecimento quanto a isso.

Não há nada de perigoso em clonar seres humanos, como não é perigoso que bebês continuem nascendo. A clonagem é apenas a reprodução celular de uma embalagem física. E por que uma clonagem humana pode ser eticamente inaceitável? Reproduzir pessoas bonitas, e a partir de células sãs, poderá ser o limiar de uma nova era. Em tempos idos houve quem visse na operação cesariana uma afronta à natureza humana, mas o que acontecia era apenas um natural avanço da ciência, para o bem-estar das mães e a proteção da própria vida delas e de seus bebês.

Os implantes, as cirurgias plásticas, soaram a seu tempo, entre as camadas mais obscuras encontradiças nas religiões dominantes como uma quebra de leis divinas. Em clonagem, o que se reproduz é apenas um corpo físico. O espírito que se instala nesse corpo, não se sabe qual será. Assim como não se sabe que figuras do passado, ou que seres, estão hoje incorporados nas pessoas que habitam a Terra.

WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

mockup