Walmor Macarini
Amar a riqueza
É bastante provável que, a cada dez pessoas, nove têm preocupações sérias com o dinheiro. Então, se o dinheiro é tão importante, é preciso aprender a conviver com ele. O mal é que as pessoas não o amam. Desejam-no, mas o tratam como coisa ruim. Há os que chegam a dizer que é invento demoníaco, e assim maldizem uma dádiva que vem de Deus.
Amar o dinheiro é simplesmente harmonizar-se com ele. Não há mal em reverenciá-lo. Importa não nos apegarmos. Nem o ser humano aprecia que alguém se apegue a ele. Apego é sentimento de posse. Dinheiro é como cachorrinho: gosta de ser acariciado. Muitos ricos costumam contar dinheiro, apenas pelo ato de contar, e assim o acarinham. Dinheiro gosta de agrado e de ser valorizado.
Dinheiro é uma espécie de amante, capaz de saudável convivência com quem gosta de ganhá-lo e também de gastá-lo. É um bem que deve ser desejado, porém não converter-se em objetivo central da vida. É ele que deve ser escravo do homem, não o contrário. Há que proclamá-lo bem-vindo, saudá-lo, guardá-lo bem, com responsabilidade e não com displicência. Dinheiro é um atributo da sabedoria, para que o homem possa com ele adquirir bens que façam sua vida melhor.
Há que amar não só o dinheiro. Deve o homem amar a si próprio e acima de qualquer outra pessoa. Se o homem ama a si mesmo, ama aos outros também. Se alguém repudia os circunstantes, pode-se crer que repudia a si próprio. Há que amar a casa que se tem, o carro, todas as coisas, porque elas são dons da vida. E se são dons, não há que haver apego a eles a ponto de serem negados a alguém que venha a precisar em situação extrema.
Pessoas mesquinhas não amam o dinheiro, apenas se apossam dele e não gostam de gastá-lo. Estas são as mais pobres das pessoas. Quem gasta também é recebedor, pela gratificação que lhe dá adquirir o que deseja. Quem dá, também usufrui da alegria de dar. Assim, dando recebe. Mas há, ademais, o sentido de que, ao girar a roda da fortuna, o dinheiro retorna ao ponto de onde partiu. Dinheiro preso é dinheiro sem função. Por isso não deve ser deixado parado, sobretudo em aplicações bancárias, pois pouco rende. Melhor é fazer negócios com ele, dar-lhe utilidade.
Desapegar-se do dinheiro não é facilitar com ele, porque se houver consequências danosas em função de descuidos, quem o fizer também será culpado pelos males advindos. Se alguém for levado a lograr porque lhe fizeram as coisas fáceis demais, quem propiciou a facilidade será responsável por haver produzido um ladrão. A culpa ficará dividida entre ambos. Não é lei que está nos códigos, mas é lei da vida. Da mesma forma não se deve chegar a extremos de negar ajuda em casos de absoluta necessidade de alguém. Em cada situação deve-se usar a sabedoria, que esta resolverá tudo.
Uma pessoa que quer ser rica deve apreciar a riqueza nos outros, porque se a abomina em quem a possui, afasta-a de si. Desejar ter dinheiro não é um mal. O mal é escravizar-se a ele e não lhe dar um destino que resulte em mais riqueza, em benefício do maior número possível de pessoas. Riqueza é um direito de todos. Mas se as pessoas dizem que é difícil obtê-la, então já decretaram que é difícil, e assim será. Há muito poder na palavra se ela é pronunciada com a força da convicção.
Mas não basta dar uma de otimista e reverter o discurso, começando simplesmente por dizer que ganhar dinheiro é fácil. É preciso crer nisso, de tal forma que nem se pense na crença. A crença brota de dentro, espontânea e impercebida. A riqueza não contempla os homens porque eles são bons, e nem se nega aos homens maus. Ela não tem esse registro e não se guia por juízos de valor ou princípios morais. Mas há ricos mesquinhos, e estes são abomináveis; e há ricos pródigos, que disseminam mais riqueza em forma de dinheiro (ou de conhecimentos sábios) e estes são os abençoados do mundo.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





