Walmor Macarini
Penetrar a alma das pessoas
Ouvindo, dias atrás, a entrevista do ator Thiago Fragoso o personagem Nando viciado em drogas, da novela O Clone fiquei impressionado com o nível de evolução desse jovem de apenas 20 anos. Pelas suas palavras, ele passou a imagem de uma pessoa que quer realizar coisas não apenas para si mas para a coletividade. Começando pelo papel que interpreta, consciente de servir à causa da advertência sobre o perigo das drogas.
Ele não é apenas um ator que, eventualmente, vise só representar, fazer carreira, ser um galã, mas revelou-se uma pessoa igualmente interessada em beneficiar outras pessoas através do seu trabalho. Thiago é também músico e afirmou que, através dos personagens que interpreta e da música que executa, busca penetrar a alma das pessoas. Este o sentido: penetrar a alma das pessoas.
No universo artístico e da intelectualidade, nas redações dos jornais, dentro dos templos, encontra-se muita gente interessada em mostrar sua arte, impor suas idéias, pregar o que entende como verdade absoluta, cobrar comportamentos, mas poucos são os que visam alcançar a alma das pessoas, porque isso só ocorre quando há um espontâneo e desprendido sentimento que vem de dentro.
Muitos jovens surpreendem pela mente liberta que possuem. Nada de discurso ideológico, de fanatismo religioso, de citações sabidas de cór mas sem compreensão do sentido. Apenas um espírito de natural fraternidade e amor incondicional, sem apego e sem busca de recompensa.
Há muitas pessoas por aí falando uma nova linguagem, e gratifica quando isso ocorre com os jovens, destes que não frequentam templos, não se apoiam em salvadores, não seguem doutrinas ortodoxas, mas guiam-se pelos rumos que a alma lhes traça. Eles já têm dentro de si as respostas. E assim penetram facilmente a alma das demais pessoas e expõem a profundidade da sua própria.
São pessoas plenamente integradas à sua realidade vertical e conscientes da dimensão em que se encontram, por isso vivendo a vida por inteiro, mas sem apegos. Encaram tudo como natural, tudo pertinente, tudo fazendo parte e nada por acaso. Não são escravas de dogmas, não se guiam por vozes externas mas ouvem as que ecoam em seu santuário interior. Têm compreensão de todas as coisas, nada disputam e nada impõem.
Cada vez mais vou encontrando pessoas assim. Uma palavra, uma inflexão, e elas já dizem tudo. Fazem-se entender no próprio silêncio. Não precisam ler nem ouvir, porque já sabem, e no entanto guardam com reserva a sua sabedoria. Apenas se revelam na identificação, no reencontro, sem divergência nem conflito.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





