Walmor Macarini
Conversar com o adversário
O erro de Felipão é um só: não conversar com os adversários antes do jogo. Ele tem que ir lá entender-se com eles, dizer-lhes que quando Ronaldo ataca é preciso deixar o espaço livre, senão como ele vai fazer o gol? Se um companheiro lhe passa a bola, adversário não tem que lhe obstruir a trajetória. Se Roberto Carlos chuta, os zagueiros precisam pular se a bola vem por baixo e agachar se a bola vem por cima. Mas se Felipão não diz, eles não sabem.
Os jogadores contrários têm mais atrapalhado que ajudado. Felipão parece não ver isso e não toma providência. Em véspera de jogo, ele tem que fazer uma rodada de chimarrão e convidar a rapaziada de outro time também. Combinar as jogadas. Os 22 têm que jogar unidos. Mas o que vemos é que metade deles sabota a seleção brasileira. Time adversário não é confiável e dá para perceber logo que não veste a mesma camisa. Isto tira o rendimento da esquadra verde-amarela-azul-e-branca. Taí também: é preciso jogar com as quatro cores.
No caso dos turcos (e afinal, pela primeira vez na história, turcos foram logrados), o que se viu foi eles fazendo gol contra. Contra o Brasil. São os próprios turcos que ensinam: Não confia em ninguém, filho. Nem em babai. Se não é o juiz Kim Joo... E decisão judicial não se discute. Esse Kim, bem que merecia o título de cidadão honorário brasileiro. Um cara pronto para ser político no Brasil. Ou ser contratado pelo Severiano para apitar jogos de times da Capital contra os do interior, aqui no Paraná, que seria vitória curitibana sempre garantida. Brincadeira, para isso não precisa o Kim.
Felipão é pouco estratégico. Ele tem que fazer treinamento conjunto com os adversários. Ademais, certas regras da Fifa têm de ser mudadas. É inconcebível validar gol contra. Contra nós. Isso tira a fleugma do football association que os estivadores ingleses nos ensinaram. E tem mais: se Felipão fosse homem de mais diálogo, orientaria os adversários que quando a seleção brasileira cai pela direita, eles têm que cair pela esquerda, porque aqueles encontrões em bolas divididas só resultam em tombos e ferimentos, e essa violência precisa acabar.
Jogador adversário, se quer pegar sobra de bola, que espere o fim do jogo. Pode pegar todas e até levá-las para casa. Felipão reúne os três erres, mas esquece de avisar, a cada um deles, no bom gauchês: Mas que tu não erres, tchê! A imprensa diz que esse trio de ataque e cuidado que um erro de erre pode virar de araque ainda não desencantou. Não é que desencantou, mas que ainda não encantou. E quem encanta, seus males espanta. Precisa também botar uma caneleira no rosto do Rivaldo, porque ele é como doença de gente da roça: bate de um lado e responde noutro.
O guapo técnico pampeano diz que vai cobrar as blitze na partida contra os chineses. Tem que fazer isso mesmo. Saber se eles não vão entrar em campo armados de chuteiras e com a má intenção de fazer gol. Que como dizem no sul brasileiro aí periga. E mais: Felipão não está sendo obedecido pelos meninos da família, pois ele manda fazer gols, e o que eles fazem? Ficam brincando de bola. O poder paterno já não é o mesmo hoje em dia.
Para o jogo com a China, os jogadores periquito-canarinho-gralha-e-garça estão dizendo que o time estará mais leve. Deve ser para subir mais e pegar as bolas altas. Felipão ainda tem tempo de chamar os chineses e saber qual é o negócio da China. Até por que o Kim-Joo agora é outro. E, finalizando: prá matar o Dragão vermelho pela garganta, uma boa é chamar o santo especialista em enfrentar esse bicho e que é um certeiro ponta-de-lança: o São Jorge. Aquele. Epa, não tive a intenção!
- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





