Walmor Macarini
Se eu houvesse sido a vice-governadora do Estado nas tantas vezes que assumiu o poder, pela ausência do titular, teria dado umas penadas que haveriam provocado alvoroço no Paraná. Vice, uma vez no cargo de titular, tem poderes para fazer e desfazer, mas por conta de um princípio dito de ética e fidelidade, se afigura apenas como cargo decorativo, para não deixar empoeirar-se a cadeira do chefe enquanto ele desfruta de agradáveis tertúlias no exterior. Por nossa conta, naturalmente. Esta de agora é a 47ª viagem do titular para fora do País, na maior parte delas de discutível proveito para o Paraná.
Se eu houvesse sido a vice-governadora no poder, teria assinado um ato suspendendo o pedágio, com a entrada de um processo de rescisão dos contratos com as concessionárias. Elas não iriam concordar, naturalmente, porque uma mina de ouro dessas, só coisa de mãe prá filho e ademais porque estribadas em papéis assinados mas teria ocorrido um grande agito, com a opinião pública se reacendendo, naturalmente a favor, e diante da manifestação popular os juristas se mobilizariam com seus pareceres, inconstitucionalidades seriam reveladas, e isso teria criado um salutar exercício de democracia. De tanto bater, poderia ter dado certo certo.
Se eu houvesse sido a vice-governadora no poder, teria baixado um ato extinguindo metade das Secretarias, com a destituição dos quadros funcionais inoperantes. O titular, no seu retorno que em tais circunstâncias ocorreria rápido á poderia ter revertido o feito, mas não poderia fazê-lo por inteiro, e o reboliço, benéfico naturalmente, teria sido enorme. Não um reboliço anárquico, mas de cidadania.
Se eu houvesse sido a vice-governadora no poder, teria mostrado as origens pés-vermelhas e teria contemplado o interior com todas as verbas e tudo o mais a que tinha direito. Amarraria o governo em compromissos, que ele teria de cumprir. Tudo certinho, dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Se eu houvesse sido a vice-governadora no poder, teria aumentado os salários dos professores, dos profissionais da saúde pública, da segurança. Com a volta do titular, ele teria que se ver com a adequação à LRF e, para cobrir o aumento dado, forçado a demitir uma imensidade de empregados desnecessários que operam nos bastidores da burocracia atravancadora.
Se eu houvesse sido a vice-governadora no poder, teria deslocado homens e máquinas para consertar as estradas esburacadas, sem acostamento e sem sinalização, e deixado a conta para o titular pagar. Recursos não lhe teriam faltado, bastando tirar do excesso de gastos em outros tantos setores.
Se eu houvesse sido a vice-governadora no poder, teria iniciado procedimentos para realizar, até onde me fosse possível, uma devassa nos gastos da Assembléia Legislativa, que são de arrepiar, pelo volume de assessores, material de expediente, veículos, mordomias em geral. E pouca produtividade.
Se eu houvesse sido a vice-governadora no poder, teria instalado em Londrina (a terra natal dela e segunda cidade mais influente do Estado) uma sede da Vice-Governadoria naturalmente com baixo custo e alto rendimento só para atender reivindicações da caipirada e ir reunindo outras para dar o grande golpe quando no exercício da titularidade.
Mas a vice-governadora, que não assume agora e nem assumirá mais, porque pretende habilitar-se a cargo eletivo e tem de estar legalmente liberada, perdeu todas as grandes chances de haver ousado, quando na titularidade. Mas não o fez, e se houvesse feito, teria atendido a nada mais que a vontade do povo e hoje sairia consagrada nos braços das multidões.
- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





