Flanando ao sabor da aragem

Palavras e opiniões não criam a verdade e nem a modificam. Porque a verdade é uma apenas, sustenta-se por si própria e não carece de defesa e de argumentos. Porém ela se apresenta segundo o grau de evolução de cada um.
A Terra, que tem vida e pulsa, está entrando num realinhamento do seu eixo e a humanidade começa a ingressar em novo tempo, que será de grandes revelações, evoluções e transmutações; e algumas turbulências, porque os contrários reagem, estribados em regras ortodoxas, que sempre caminham mais à retaguarda. Enquanto isso, a ciência não-convencional avança em sua marcha.
Grandes inventos e descobertas – melhor dizer reinventos e redescobertas, porque o homem já os guardava em sua memória subjacente – nem sempre foram criações da ciência regulamentada. Assim como os meninos das histórias em quadrinhos de cinquenta anos atrás já desenhavam foguetes interplanetários, segundo as concepções aerodinâmicas de hoje, concebiam viagens intergalácticas e armas disparadoras de raios laser, isso numa época em que a humanidade ainda não dominava esses conhecimentos.
Porque eles não eram meros meninos de histórias em quadrinhos... A Sabedoria Suprema se vale de todos os meios, porque a natureza humana costuma reagir às idéias do novo e por isso não pode recebê-lo por impacto. Ademais, precisa sempre atestar com os próprios olhos e tocar com as mãos, ou aguardar a chancela da ciência oficial.
A história da humanidade está repleta de soluções mágicas que não emanaram de ensaios de laboratório, mas do acaso. E ‘‘acaso’’ é uma palavra inadequada em qualquer circunstância – embora tenhamos de usá-la, provisoriamente – porque acaso não existe. A ciência, que no mais das vezes caminha a reboque dos fenômenos, finalmente acabará consagrando-os. Einstein era às vezes irreverente com a própria ciência, porque tudo o que ele viria a descobrir e revelar era produto de sua intuição, conforme ele mesmo afirmava.
O homem tem de estar com a mente aberta e receptiva se deseja enxergar além da linha do horizonte e da visão das estrelas. Os portais estão agora mais vastos, porque estes são tempos de expansão da consciência. As coisas caminharão mais velozes. E não apenas a tecnologia, que não é o mais importante. Quem quiser viajar apenas embarcado nela é livre para isso, mas estará sujeito aos incidentes de percurso, como o de quedar-se pelo caminho com a sua carruagem quebrada.
O homem medíocre – e não no sentido pejorativo, mas daquele que pode ser um intelectual mas ainda não abriu sua mente intuitiva e recriadora – precisa de provas para tudo o que transcende o seu limitado alcance da visão e dos sentidos analíticos. Nada há de sobrenatural, mas tudo o que vai além do limite conhecido surpreende, embora não tanto aos que estão despertos.
Os que protestam e seguem doutrinas rígidas também são necessários, porque estimulam o avanço dos mais propensos na busca do elo que se extraviou mas não está perdido. Pena que os contrários, aprisionados no cativeiro de dogmas e sistemas, sofram muito, embora não o percebam, porque muitas vezes fanatizados, e por isso revestem-se da ira e da agressão para defender suas idéias e crenças, enquanto os que flanam ao sabor da aragem e têm a mente liberta voam alto e enxergam longe.
WALMOR MACARINI

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