Walmor Macarini
Um dos assuntos do momento é se os padres devem casar-se. A resposta é que devem casar-se todos os que têm vontade de casar-se. Se a igreja impõe o celibato e os sacerdotes aceitam, então este é o desejo deles. Mas se, depois, ficam contrariados com isso e buscam fórmulas de compensar o que lhes falta, e se essas soluções lhes criam problemas maiores, então melhor é que abandonem os votos e busquem o caminho que, afinal, os faça realizados e felizes.
Padres e freiras são pessoas como todas as outras, sujeitas aos apelos do corpo, e o sacrifício da abstinência não é nenhuma virtude e não os faz mais puros e santificados. A flagelação que se auto-impõem está mais próxima da violentação de sua natureza humana. Desejos reprimidos têm o mesmo peso dos desejos realizados, porque desejar já é fazer. Contenção não levará ninguém para o céu, assim como o exercício pleno das funções do corpo não lançará ninguém no mármore do inferno.
A castidade do sacerdote não o faz melhor ante os fiéis, mas práticas de abusos o submetem à reprovação pública. E assim, ao invés de uma salutar convivência, livre e consentida, a situação se torna pior. Caminhos pouco ortodoxos levam ao escândalo. A igreja, comandada por anciães, contrapõe-se à natural virilidade dos padres moços, ademais quando se sabe que o ingresso no seminário é muitas vezes a busca de uma garantia de vida pode-se dizer um emprego e nem sempre uma vocação sacerdotal.
Com toda certeza muitos mais se dedicariam ao sacerdócio se não temessem o arrependimento que poderá vir, pela falta que lhes fará a mulher. O homem nasceu com o instinto de acasalar-se, e se isso não lhe for permitido, por alguma imposição ou pela força dos juramentos feitos, cairá em incontrolável estado de necessidade, que o fará buscar na clandestinidade a satisfação de seus desejos, e da forma que lhe for possível. A natureza divina não teria produzido o homem e a mulher da forma que os produziu se não desejasse a comunhão entre ambos.
Natural que, se for do desejo de alguém abster-se, e isso lhe fizer bem, que se faça a sua vontade. Raro, porém, é que desejos não aflorem, porque as atrações são muitas, e elas, sabiamente, foram postas de propósito para que o homem povoasse a Terra. Não há contra-indicação na prática da conjunção dos corpos, antes uma forma de manifestação de amor e afeto. Só não é bom quando uma das partes é forçada a fazê-lo, porque assim ela deixa de ser partícipe espontânea.
Se os fiéis podem, os sacerdotes também devem poder. Com famílias constituídas, eles viveriam menos solitários, melhor compreenderiam as razões da sua comunidade religiosa, que é feita de pessoas que convivem aos pares, e com toda certeza seriam mais felizes. A igreja se estriba em seus cânones seculares, que impõem severo rigor eclesiástico, mas paga por isso um preço, porque escasseiam mais e mais os candidatos à carreira sacerdotal, quando não ocorrem escândalos que a desgastam e lhe obscurecem a imagem.
Os fiéis não cobram dos padres o celibato e não se oporiam em vê-los casados, como também apreciariam que fosse dada oportunidade à mulher de também ser uma padreza e se não for este o nome ele fica criado. Celibato e machismo não são condizentes com os tempos novos que vivemos. Dois mil anos parece não ter sido suficientes.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





