Walmor Macarini
Clonagem, transgenia, alimentação pela luz. Três temas intrigantes do momento. Como foram intrigantes a seu tempo todas as revelações da ciência oficial e da ciência não-convencional, embora depois tudo tenha se tornado natural. Os mais velhos, estribados em dogmas religiosos, dizem que o homem está brincando de Deus. Os jovens aceitam melhor essas coisas, porque mais identificados com os tempos que vivem e mais livres de preconceitos. No geral, as mentes mais abertas encaram tudo isso como algo previsível. Nada novo, embora surpreendente para a maioria.
No artigo do dia 4 deste mês já dissemos que o homem está apenas reeditando o que já fez em eras remotíssimas, do que guarda os registros em sua memória perene, que é antecedente e transcendente. Transgenia, clonagem, internet, telefonia celular, viagens interplanetárias, nanotecnologia, o conhecimento do genoma e agora a alimentação das cédulas pela luz, são coisas que o homem já dominou um dia.
Tudo o que surgiu e está surgindo é apenas redescoberta. O novo é apenas o retorno, do qual a humanidade perdeu a lembrança em sua memória objetiva mas guarda em sua memória subjacente. Eis que cada um de nós não é de agora e não tem a idade dos anos lineares que figuram na certidão de nascimento. Os antepassados somos nós mesmos, com alguns adicionais, porque o universo é intercomunicante. O homem já conheceu, outrora, todas as tecnologias de hoje e inclusive o domínio sobre o próprio corpo.
A resposta para as razões da queda e do recomeço que não significam uma regressão do espírito e sim da personalidade, que é atributo dos nossos corpos inferiores não residiu na ousadia de fazer, mas em não haver transferido para o benefício de toda a humanidade aquilo que fez. O próprio homem possibilitou o afundamento e a desintegração de sua criação. Porque faltou o toque da espiritualidade em sua obra. Ao migrar para cá, tinha consciência de que mergulharia no esquecimento, para que tivesse mérito a redenção pela via do renascer espontâneo, pela vontade e pelo amor incondicional.
Domingo passado este jornal publicou o relato de uma mulher a artista plástica Evelyn Constance que não se nutre mais de alimentos conhecidos, mas apenas da luz entenda-se a luz do dia. Ela não é a primeira a afirmar isso, e pelas suas palavras existem seis mil pessoas que fazem o mesmo, no mundo, metade das quais no Brasil. A medicina convencional, naturalmente, rechaça essa possibilidade, estribada nas dimensões do conhecimento que domina. Até poucas décadas atrás não se podia crer que o homem pudesse ficar suspenso no espaço, livre da atração da gravidade, como já aconteceu tantas vezes e estamos revendo por estes dias.
A medicina autorizada sabe apenas um pouco do corpo humano, e o que ainda saberá no imediatamente após, ainda não será tudo. O próximo questionamento da ciência oficial será exigir a prova de que não é possível viver sem alimento sólido ou líquido. Mas o que se tem com certeza é que a natureza humana ainda não deu sua última palavra. Então, melhor será abrir a mente para os fenômenos novos que chegam, ao invés de simplesmente contestar, empiricamente. Se falta comprovação regulamentar para atestar que é possível ao corpo dispensar os alimentos naturais e viver só da luz, também não há comprovação em contrário.
Se a ciência convencional mal engatinha em torno do conhecimento dos corpos vivos e do que os mantém o que não ocorre, obviamente, apenas em função dá água e do alimento que ingerem é prudente não fechar a porta das possibilidades. Tudo o que contra-argumentar será com base apenas no que alcançou, mas este não é o limite derradeiro e sim o limite conhecido. Ademais, não é a ciência que dá a primeira palavra, nem a última, e nem é criadora mas apenas redescobridora. No mais das vezes a ciência opera em cima do acaso e a reboque de fenômenos inusitados que acontecem. Nem sempre é agente, mas caudatária.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





