Sentir-se espiritual


Quando defendo a busca da riqueza e do bem-estar material, deixo evidente que em tudo há um caminho de espiritualidade, embora o diga de várias formas, às vezes não muito explícitas. Ao escrever que ao mover-se o homem move o universo, estou demonstrando que esta é uma via transcendente, por isso de natureza espiritual.
Na verdade, nada é material e nem espiritual, nada é sagrado e nada deixa de ser sagrado. Supostas diferenças entre uma coisa e outra foram criadas pelo homem, mas tudo no universo é indissolúvel, uma coisa resultante de outra e tudo uma só coisa. A esse conjunto de diversidades unificadas o homem deu o nome de Deus, para simbolizar a inteligência que a tudo rege.
O homem não é algo separado, mas integrante, dotado do idêntico poder de Deus, porque parte inerente e imanente dele. Espiritualidade é compreender isso e não propriamente pertencer a uma religião, frequentar cultos, debruçar-se sobre um livro e ler versículos, crer num salvador e prostrar-se em louvações.
Espiritualidade é um estado de sentir-se espiritual. É respirar esse oxigênio santificado a que se dá os nomes de poder crístico, poder divino, espírito santo, ou simplesmente o amálgama do amor universal que une todas as coisas.
O poder crístico estava acentuadamente revelado em Buda, em Jesus, em Maomé – para ácitar apenas avatares mais recentes – e esses mestres mostraram ao homem que também ele é detentor desse poder. Porém os seguidores, na grande maioria, preferiram adorá-los ao invés de seguir os seus ensinamentos. Converteram-nos em salvadores e desprezaram o poder individual em si próprios.
Jesus deixou isso claro ao dizer: ‘‘O que eu faço vós também fareis, e ainda melhor’’. Quando dizia ‘‘o Pai em mim’’ queria dizer o poder nele. O sentido de salvar-se era o homem compreender esse poder em si mesmo, mas ele preferiu a comodidade de eleger Jesus como seu salvador, e por isso não evoluiu espiritualmente. Apenas converteu-se num dependente adorador e deixou de ser o agente de seu próprio crescimento.
Jesus não é Cristo. Ambos são situações distintas. Jesus era o homem, possuidor de espírito individual; Cristo era (é) o poder presente em todos os seres – o Eu Sou pré-existente – mas totalmente pleno em Jesus, porque o espírito do mestre nazareno procedia de elevada esfera e era luz pura. Cristo fundia-se em seu espírito e falava através dele.
Dizer que ‘‘só se chegará ao Pai através do Filho’’ não significa chegar a Deus através de Jesus, e nem que este era seu ‘‘filho único’’, pois isso contradiz o próprio fundamento da fraternidade universal (e não simplesmente terrena) pregada pelo mestre. O ‘‘filho único’’ era o Cristo – a via, o poder, o meio para se chegar à plenitude, o chegar ‘‘ao Pai’’ como diziam os hebreus para definir um hierarca, no caso a imaginária figura individualizada de Deus.
Podemos ambicionar todo o ouro da Terra e termos consciência de nossa condição espiritual. Espiritualidade e riqueza não são incompatíveis, ao contrário, inerentes. Crer na possibilidade de obter as coisas é crer em algo transcendente, e isso é um estado de consciência espiritual. Muitas pessoas têm dificuldade em entender isso pela vinculação equivocada que fazem da riqueza a algo supostamente nefasto.
Nada invalida que peçamos ajuda às divindades, porque quando as invocamos abrimos uma janela, respiramos o éter universal que penetra através dela e entramos na consonância. Aí os milagres se operam, e atribuímos isso ao poder desses luminares divinos, porém é a nossa força que se conectou com as forças semelhantes desses seres de luz e poder. Se lhes entendemos a mão, eles nos ajudam, já que entramos em alinhamento com a sua frequência.
Tudo no universo é um princípio inteligente de ação e resposta, de movimento e resultado. Onde batemos, a porta se abre, e a porta que resolvemos abrir mostra o que guarda. Mas a decisão de bater é nossa, então o milagre ᖠpara o bem ou para o mal – começa por nós. Nem Deus tem ‘‘autorização’’ para nos ajudar se não desejamos, mas se lhe permitimos que nos ajude, ele está pronto!
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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