Quem não é rico costuma desdenhar que dinheiro não traz felicidade. É uma forma de disfarçar a pouca habilidade para ganhá-lo. Dinheiro é bom, e desejar te-lo não é nenhum pecado. Óbvio que se deve ganhá-lo honestamente e que ele esteja a serviço do homem, não o homem escravizar-se a ele.
Mas se é ruim ser escravo do dinheiro, muito pior é aceitar a pobreza como uma virtude ou como vontade divina. Porque tal mentalidade, sim, é a pior das pobrezas.
Riqueza e pobreza são opções do homem. Quem tem em mente não cair na pobreza, nunca cairá. Pessoas que acreditam na própria capacidadeáá têm dentro de si uma chama e um poder impulsionador que as movem para a frente.
Quem já foi rico guarda a memória dessa riqueza e, mentalmente, preserva os padrões de conforto que conheceu, e assim acaba recuperando o sistema de vida que teve.
Quem tinha uma boa casa e, por qualquer circunstância, a perdeu, conserva fixa a idéia de voltar a ter outra igual, e acaba fazendo isso acontecer. A fixação – quando é expontânea e não carregada de lamentação – faz essa roda girar.
Quem já teve automóvel nunca andará a pé, e não tarda que, se perdeu um, acabe adquirindo outro. Porque ficará atento aos padrões de semelhança que circulam ao seu redor, e o querer de novo se transformará num poder.
É muitíssimo mais fácil a um rico, que perdeu sua riqueza, voltar a ser rico, do que um pobre sair da pobreza. Porque o pobre não se fixa em riqueza, assim como uma pessoa que já viveu a experiência de ser rica não se identifica na pobreza.
Riqueza não acontece por acaso. Não é graça divina, é uma vontade pessoal. Não é só dizer ‘‘quero ser rico’’, é preciso ter cabeça de rico, e isto não se aprende na escola. Um bom princípio é louvar a riqueza dos outros. A riqueza sorri a quem a aprecia. Se a odiamos nos outros, já a estamos negando.
Quem sempre foi pobre e aceita a pobreza – não por opção mas porque acha que a riqueza é difícil e não é para ele – cria ao redor de si uma aura de conformismo com o pouco possuir, e é exatamente disso que a pobreza se nutre.
Muitos pensam que pobreza é vontade divina e, assim, colocam-se numa redoma de auto-flagelação, qual eleitos para supostas graças que virão depois, como compensação por perdas e danos.
Uma questão é a pessoa saber que é pobre e estar plenamente consciente de que assim está bom, sem nada de melhor desejar; outra, é viver em estado de conformismo, o que é uma situação de conflito.
O homem nasceu com o dom de ser feliz, e se a riqueza material contribuir para isso, ele deverá buscá-la. Se a obtiver por meios ilícitos, estará exercendo o direito do livre arbítrio mas ingressará em zona de turbulência, e esse caminhoáá não o conduzirá à felicidade, que é a meta final das pessoas.
É certo que a vida nos dá o que buscamos dela. Se desejamos escalar uma montanha, moveremos muitas mãos que nos ajudarão a subir. Se queremos descer, acionaremos forças que nos conduzirão às descida. Tudo acontece pela ação da nossa vontade.
O universo ajudará o homem tanto à prática de uma boa ação, se é da sua vontade, como ao contrário, se ele o desejar. Não faz distinção de qualidade, porque este é um julgamento pessoal.
O universo – entendamos Deus, se quisermos usar essa expresão – ajudará o homem em qualquer direção que ele desejar ir. Se quiser fazer a guerra, terá disponíveis todos os canhões.
É a vontade do homem que prevalece, não a vontade de Deus. Porque ao mover-se, o homem move o universo – move Deus – que é o poder imanente nele. A vontade de Deus é que assim seja.
Voltando às coisas terrenas: se nos fixamos num automóvel barato, imaginando que por essa aparente modéstia Deus será benevolente, estamos enganados. Certamente o obteremos, porque foi este o limite, que estabelecemos.
Mas Deus não lê ‘‘Quatro Rodas’’ e não se liga em marcas e preços. Se, ao invés, nos fixarmos num Mercedes-Benz, o pátio está igualmente cheio... Com toda certeza no céu ninguém anda em carro velho... Não se diz que lá é a glória, onde tudo é de ouro e diamente, e tudo reluz?!...
Grandes homens, no sentido de riqueza e dos benefícios que proporcionaram à humanidade, foram originariamente pobres, que no entanto ascenderam, porque a impulsão estava dentro deles. E quando a força brota de dentro, mil mãos aparecem para ajudar, porque forças da mesma intensidade se atraem.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

mockup