Se alguma coisa não vai bem, melhor é não torná-la pior. Um bom caminho é disciplinar os pensamentos, palavras e atitudes, e eliminar aquilo que traz aborrecimento. Tudo o que se pensa e se diz pode melhorar as coisas ou agravá-las. Sentimento de ódio sobrecarrega a atmosfera já densa e caracteriza uma forma de violência.
As atribulações que se vive são o resultado da densidade da própria mente humana. Emanações de ira e desejos de punição reforçam as correntes da agressividade. Assim, se algo não está bem, fica pior. Isto não significa que se deve cultuar a indiferença e a passividade diante dos fatos, e sim buscar soluções que não se estribem em sentimentos carregados de ódio e desejos de condenação. Por não fazer periódicas revisões da consciência, as pessoas muitas vezes nem percebem que estão desejando mais punição que solução do respectivo problema.
Para curar uma chaga não é preciso odiá-la. Basta observá-la e buscar a sua origem. O homem pode ser justo mas não precisa ser cruel. Essa mudança de atitude faz a diferença e age com a força de um extintor – ou, em posição contrária, realimenta a chama.
A mente objetiva é muito carregada de negativismos, mas não é preciso abrir a porta desse armazém. Há um outro compartimento, dentro de cada um, onde estão muitas fórmulas mágicas, com todas as respostas. Basta abri-lo. Isso requer vontade e um exercício de constância. Todo homem é tão santo quanto os santos, mas precisa romper o cadeado onde ele mesmo aprisiona a sua santidade.
Uma droga muito corrosiva é a do culto ao ódio, à maledicência, à ânsia de julgar e punir, porque ela contamina o próprio tecido do indivíduo e tudo ao seu redor. Há pois que vigiar os sentimentos, ouvir as próprias palavras, atentar para os próprios atos e avaliar a qualidade deles. Essa vigilância é um estado de perene oração.
Cada qual é o discípulo e é o próprio mestre. O discípulo é o que opera sob o domínio dos sentidos, e o mestre o que fala pela voz da intuição, ambos muitas vezes em conflito, pela interferência do ego. O exercício de ouvir a voz do mestre irá refreando a rebeldia do discípulo.
O homem dá prioridade diária a todas as suas urgências, mas despreza a consulta que deve fazer a si próprio e a ouvir o que a sua voz interior tem a lhe dizer. O que emana dela procede de um reino mais elevado, onde tudo se apresenta puro e cristalino.
Todos os problemas que envolvem o homem são criações dele próprio. Sentimentos de ira, de intolerência, de vingança, vão encorpando as correntes do negativismo e acabam se cristalizando e se manifestando naqueles que estão mais vulneráveis e propensos aos atos maus. São como raios que caem justamente nos pólos mais receptivos e que acabam sendo os agentes finais dos efeitos, mas eles não são a causa.
Nada ocorre, de bom ou de ruim, que não veio se plasmando na mente individual ou coletiva. É preciso policiar os pensamentos, para que não encham de nuvens carregadas a atmosfera e cuja consequência será o pipocar de explosões aqui e acolá. Não há que punir o pára-raio por isso, porque ele é apenas o catalisador.
Sempre queremos a punição para os filhos dos outros que delinquem, mas quando se trata dos nossos, não temos a mesma postura e tudo fazemos para que eles se livrem, porque achamos que é possível recuperá-los por outro caminho que não o da prisão e os sofrimentos daí decorrentes. Por que não a mesma solução para os outros? Quando o homem buscar a serenidade e a harmonia que reside dentro dele, vislumbrará todas as respostas para os problemas que o afligem. Porque o universo é harmônico e ele está dentro do homem, bastando que não seja encoberto pelas sombras do ego.
Quando o homem tem vontade de mudar as coisas para melhor, muitas mãos invisíveis se estendem para ajudá-lo. É possível, diariamente, fazer uma higienização mental, e nessa operação se descobrirá aquilo que precisa ir para o ralo. Dessa forma o homem será o senhor de seu próprio destino e não culpará os outros pelo que lhe acontece de ruim. O universo conspira a favor dos seus passos.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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