Quando os primeiros aviões começaram a cruzar os céus, nossos avós olhavam para aqueles objetos voadores criados pelo homem e transportando pessoas como o indício do fim do mundo. Diziam que se Deus quisesse que o ser humano voasse, lhe teria dado asas. Certamente que Deus dá asas da forma que deseja, sem que elas estejam necessariamente presas ao corpo.
O advento do avião trouxe tragédias mas também progressos e conforto para a humanidade. Não foi o fim do mundo. O homem utilizou todos os seus inventos para os mais diferente usos. Quando nossa espécie terráquea pousou na Lua, também foi um sinal de fim do mundo para os catastrofistas.
A clonagem de seres humanos, que ainda não é uma realidade mas virá a ser, não será diferente de tudo o mais criado pelo homem. Clonagem humana é a perplexidade do momento, embora pouco se saiba acerca dessa questão tão revolucionária e instigante. Assim mesmo já há posições assumidas publicamente, como a da clonagem só para fins terapêuticos, mas nem pensar em clonar seres humanos, ou seja, fazer xerox deles. O temor certamente baseia-se em filmes de ficção que mostraram ''fábricas'' de seres com habilidades programadas, como por exemplo seres desprovidos de raciocínio e aptos para executar tarefas de destruição e extermínio.
Tais coisas não irão ocorrer pela via dos clones só pelo fato de serem clones. Eles serão bons ou maus da mesma forma que nós o somos. Serão apenas seres humanos comuns, com a diferença de que semelhantes fisicamente. Porque cada qual trará uma diferente carga genética espiritual, portanto uma individualidade, mesmo que haja produção em série de pessoas aparentemente iguais. Os gêmeos não têm idêntico comportamento, embora pares na aparência. Quanto à clonagem terapêutica, ela acena com grande possibilidade de produzir uma humanidade sadia, provavelmente livre de doenças.
Cem anos atrás seria utopia imaginar os sistemas de comunicação de hoje, como a tevê intercontinental, a Internet, a telefonia celular, a cirurgia plástica, a reconstituição e o transplante de órgãos vivos, as fantásticas descobertas no campo da genética, o domínio da organização do genoma.
A clonagem humana acontecerá, inevitavelmente, porque ela já está nos registros informativos do homem, e se ele não a fez antes é porque ainda não havia chegado a hora. Muitas coisas fenomenais já estão acontecendo, só que agora o homem se amedrontou quando viu que poderia clonar-se. Ele se assustou com a própria criação e com o suposto mal que um ser à sua imagem e semelhança possa lhe causar. É o homem com medo dele mesmo.
Jesus veio ao mundo por intermédio de um corpo puro e são, o de Mirian, que era uma jovem vestal essênia, de 16 anos, e que já desceu ao plano terreno preparada para essa voluntária missão. Quem sabe esses corpos físicos clonados, infensos a moléstias, não se destinem a abrigar os iluminados seres das novas raças cósmicas que haverão de vir?! No campo das hipóteses é livre tudo pensar.
O homem aceita que corpos físicos nasçam com deficiências, mas agora parece não admitir que haja chegado o tempo de uma população mais sadia. Quem, senão o homem e a mulher, tem produzido seus próprios semelhantes? De que forma temos nascido, senão através da dor do parto? Quem sabe, depois da exaustão desse experimento, a natureza divina tenha resolvido que isso seja diferente e de forma menos dolorosa! Talvez se dispense um dia o útero materno. As crianças, então, nascerão sem a afetividade de uma mãe? muitos perguntarão. Mas, seria apenas essa a garantia de afetividade? Quem adota uma criança ama-a da mesma forma.
Os bispos alemães afirmam, em manifesto, que a clonagem nega a mistura dos genes materno e paterno. Mas quem assegura que os nascimentos tenham que ser sempre como foram? A religião também defendia que a Terra era o centro do Universo e que ela era plana. Duvidar disso seria uma heresia, punível com a condenação. E quem assegura que os futuros cientistas do mundo só produzirão, pela clonagem, homens maus?!
Ocorre que a humanidade guarda dentro de si muitos registros de maldades, então imagina que os clones sejam espécimes que só virão trazer desgraças. Mas desgraças, o homem já as trouxe à exaustão! Os próprios homens têm produzido os dependentes deles mesmos, que obedecem aos comandos da realidade miserável do mundo e ficaram excluídos das coisas boas da vida.
Bem, estamos apenas falando do aspecto puramente terrenal, e nele, infelizmente, concentram-se as preocupações humanas eis que humano é o homem em sua fisicalidade mas há algo superior a tudo isso, que escapa à compreensão da humanidade, nessa questão da clonagem: a verdade de que cada ser humano encerra (ou está envolvido por) uma individualidade espiritual distinta, não obstante seja apenas uma a Origem. Um batalhão vestido com uniformes idênticos faz todos iguais na aparência, mas cada soldado é diferente, individualmente. Com os clones será assim também. Ou seja, os clones hoje sinônimo simplista de semelhantes nunca serão iguais. Cada um deles terá um espírito próprio e não um espírito coletivo. Portanto, não obedecerá cegamente a comandos. Porque será seu espírito individual que o guiará.


- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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