Walmor Macarini
Não há nenhum mal em desejar ter dinheiro e usufruir dos pra zeres da vida, aí incluídos os pra zeres do corpo. Se amamos a vida temos que amar e fazer tudo o que nos apraz. Não há nenhuma barreira que impeça isso, e nenhum código de conduta que imponha limites.
Também na prática do sexo não reside nenhuma condenação. Se, em face dos perigos de saúde que o rondam, devemos tomar as devidas precauções, isso não invalida esse salutar exercício. Não há nenhuma vinculação entre sexo e amor no sentido que certos conceitos morais querem dar a essa relação, eis que a atração já está implícita, no sexo consentido.
A ambição de ter dinheiro não é condenável se temos em mente que podemos comprar com ele as coisas que desejamos. A vida nos dá o que esperamos dela. Se certas vontades chegam envoltas de pureza e convicção, sempre obtemos o que desejamos, e o entusiasmo dessas conquista no mais das vezes nos liberta de egoísmos e nos leva a desejar que também os outros obtenham as coisas que querem.
Importa muito que nos sintamos bem com as coisas que fazemos e com aquilo que desejamos e conquistamos, porque estes são atos de celebração da vida. Se amamos determinada coisa, acabamos por obtê-la, porque entra em ação aí um processo de atração.
A conquista do poder não significa sobrepor-se a alguém , porque poder é um estado de sentimento de havermos superado a nós próprios e não a outrem. Quando damos satisfação aos nossos prazeres acabamos levando idêntico prazer aos outros. Porque não podemos dar alguma coisa a alguém se não a temos. Só pessoas felizes fazem outras felizes.
A energia emanada da conjunção sexual pode ser mentalmente canalizada em benefício de uma causa, própria ou de outra pessoa, como a cura de um mal ou a conquista de algum desejo. Se tal é praticado com o mesmo propósito pelo casal, duplica-se de força, e muito mais nos instantes do orgasmo, quando a energia é muito vigorosa. E se nessa hora a remetemos na intenção de uma boa causa, ela chegará ao destino e produzirá resultados surpreendentes. É uma oportunidade que pode ser muito bem aproveitada.
A simples busca do prazer justifica o sexo, e é impossível não sentir esse desejo, porque emana da força ígnea do éter universal que alimenta a vida. Mas podemos sem abandono do prazer direcionar essa força para um fim específico e assim operar verdadeiros milagres. Ao fazermos uma prece por nós próprios ou por alguém, emitimos uma carga de sentimentos que nada mais é que uma emanação de energia, que atinge seu alvo quando impregnada de convicção e de total entrega. É idêntica à força que se concentra durante a comunhão sexual, e muito especialmente no momento da sublimidade do êxtase.
Tudo no universo se move por correntes de vibração. Uma forte projeção de ódio de uma pessoa para outra pode fulminar a vítima desse arremesso ou levá-la a graves distúrbios. No sentido inverso, pode salvá-la ou curá-la de um mal. O que dizer-se, então, da forte projeção vibratória emanada do sexo e do êxtase, direcionada em favor de uma causa?!
Abstinência de sexo é uma livre decisão de cada um, mas não há nisso nenhuma virtude se a mente o imagina pecaminoso ou imoral. Sexo é um dom divino e expressá-lo é uma expressão de amor e de vida. É livre em sua prática intrínseca, porque não tem vinculação obrigatória com casamento ou outros convencionalismos sociais. Não há violentação no sexo e sim em envolver nele aqueles que não o desejam.
O sexo pode ser um momento de meditação e de prece, de liberdade e desprendimento, que nos transporta para uma elevada escala emocional, nos desprende da materialidade e nos conduz a um nível de beatitude. É possível através dele chegar a um estado de sublime elevação espiritual.
- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





