Walmor Macarini
Este é um momento em que todas as pessoas iluminadas da Terra devem ajudar os combatentes em guerra. E de que forma? Pela mentalização qualificada que possa abrandar os corações e as mentes dos dirigentes do mundo, sobretudo os dos Estados Unidos.
Impera um inconformismo do povo norte-americano e um desejo dos especialistas em acionar arsenais bélicos nunca experimentados. O recurso e o exercício das guerras é algo arraigado nos cidadãos daquele país e se confunde com o conceito de patriotismo. ''Salvar a América'' é uma palavra de ordem que, desde cedo, vai sendo inoculada nas mentes das crianças. Elas são preparadas para a idéia de que, na idade adulta, poderão ser convocadas a ir para o front. Os pais também estão conscientes e se ufanam disso.
É sobretudo por eles, americanos, que temos que dirigir nossos bons pensamentos nesta hora, enquanto o fazemos também por aqueles que sofrem pelas misérias sociais, nos países atacados, e pelo horror de verem suas cidades bombardeadas. A ênfase para os americanos é porque são eles a potência - bélica e econômica - e por isso temida e odiada.
Temos que dirigir nossas preces em favor dos 18 milhões de afegãos e dos 230 milhões de norte-americanos favoráveis à guerra, mas sobretudo em favor de George Bush e Osama bin Laden, os grandes personagens do presente conflito. Se ambos falassem uma mesma língua, veriam que God e Alá quer dizer a mesma coisa. Não faltam as correntes que crêem no fatalismo, depois das conturbadas eleições presidenciais que acabaram por levar Bush ao poder.
Bush seria o que haveria de vir. Há nisso um certo sabor apocalíptico. Muitos acreditam que, fosse o candidato de Clinton o eleito - o seu vice democrata Al Gore - os recentes atentados não teriam ocorrido. De fato, Bush começou a acirrar ânimos contrários, ao defender ideais de reforço armamentista e ao cometer a imprudência de fazer pronunciamentos que soaram provocativos.
Temos, agora, que fazê-lo brando, pois é ele o rei. Se queríamos um governo mundial, já o temos. Podemos não entregar nossas filhas para casar-se com norte-americanos - como as esquerdas não queriam, ao tempo da última ditadura brasileira, que nossas filhas se casassem com militares - mas Bush é o rei. As nações o reverenciam e o obedecem, ou no mínimo não o contrariam. Os que ousam, são bombardeados e sofrem toda forma de sanções e boicotes. Afeganistação como exemplo. Também Hitler e os alemães fizeram a guerra por causa de limitações impostas à Alemanha. A imprudência das nações faz emergirem os líderes, que nada mais são do que catalisadores dos anseios das massas oprimidas. A partir daí, também extrapolações podem acontecer, dentro da extrapolação que é a própria guerra.
Vamos, então, rogar pela sensatez dos dirigentes do mundo. Se alimentamos ódio contra eles, os fazemos piores. Este é um momento em que as pessoas devem elevar o pensamento e fixar-se na paz. Imaginar que em cada governante, em cada americano e em cada taleban pulsa um coração capaz de momentos de ternura. Os que não possuem armas mas desejam entrar nessa guerra devem fazê-lo em forma de mentalização positiva sobre o homem que repousa, sob a proteção da águia, no Grande Trono, e sobre os que repensam novos atentados. As ameaças se fazem sentir, nesta guerra que é mundial, porque todos podem assisti-la, graças aos avanços da tecnologia criada pelo homem. Algo que, paradoxalmente, não o fez melhor a ponto de evitar confrontos e autodestruição. É preciso que cada um saia do conforto da poltrona e entre, literalmente, de cabeça nesta guerra.
Temos que fazer um grande esforço para evitar sentimentos de ódio, à revelia do que nos mostram a TV e os jornais, e nos concentrarmos em idéias de paz. Assim, tocamos nos sentimentos puros que habitam em nós e contribuímos para edificar o mundo novo, que haverá de emergir dos atentados e das guerras. A mesma corrente do inconsciente coletivo que produz a guerra, produz a paz. Basta reverter seu direcionamento. Alguém tem que ser sensato neste mundo. Então, que sejamos nós.
O momento exige meditação e paz interior. Se devemos orar pelas vítimas, temos também de orar pelos vivos, porque eles estão aqui e isso tudo os afeta; orar para nós mesmos, para que não se afaste a serenidade; orar, sobretudo, pelos agentes das guerras, porque eles são os que mais precisam. Temos que romper as amarras que aprisionam seus corações, e isso será possível com muito silêncio interior e muita emanação de perdão e de pensamentos qualificados que toquem sua essência mais profunda, e assim possamos deixar acendida, lá dentro, uma luz.
- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





